Atacado por todos, Alckmin reclama de complô dos demais candidatos

Candidatos a governador de SP participam de primeiro debate na TV (Foto: Milton Michida/Divulgação) São Paulo – O debate entre os candidatos a governador em São Paulo, promovido pela Band […]

Candidatos a governador de SP participam de primeiro debate na TV (Foto: Milton Michida/Divulgação)

São Paulo – O debate entre os candidatos a governador em São Paulo, promovido pela Band na noite da quinta-feira (12), teve a marca em comum dos ataques à candidatura de Geraldo Alckmin e aos 16 anos de administração do PSDB no estado.

Estiveram presentes, além de Alckmin, Aloizio Mercadante (PT), Paulo Skaff (PSB), Fabio Feldmann (PV), Celso Russomano (PP) e Paulo Bufalo. Outros três candidatos (Anaí Caproni (PCO), Mancha (PSTU) e Igor Grabois (PCB)) não foram relacionados pela produção do evento.

Desde as primeiras perguntas, ficou claro que a administração tucana e Geraldo Alckmin, que lidera as pesquisas de intenção de voto no estado, seriam alvos das críticas e dos questionamentos dos demais postulantes ao cargo.

Pedágios, educação, saúde e segurança foram os temas mais lembrados. Mas também foram citados a privatização do Banespa e da Nossa Caixa, o crescimento econômico do estado, considerado insatisfatório e a degradação ambiental de reservas e mananciais, entre outros temas.

Um dos pontos altos dos ataques aconteceu quando Aloizio Mercadante leu um trecho de um relatório sobre as condições da educação quando José Serra assumiu o governo, em 2006. Segundo Mercadante, o estudo foi elaborado pela própria equipe de Serra e apontava um legado de problemas, como precariedade nas instalações, defasagem de salários dos professores, ausência de planejamento, baixo aproveitamento escolar dos alunos etc.

A certa altura, Alckmin mostrou que a sucessão de golpes o incomodava. “Estamos vendo um complô. Até a gravata dos meus adversários tem a mesma cor.” Com excessão de Bufalo, que não usava gravata, todas as demais eram vermelhas. Na de Alckmin, predominava o rosa.

Saúde

Celso Russomano também protagonizou uma passagem tensa do debate, quando mostrou um holerite de um médico do estado, que apontava seu salário-base de pouco mais de 400 reais, acrescido de gratificações (que não são computadas para efeito de previdência) de cerca de mil reais.

Alckmin tentou defender-se dizendo que um médico recebe 600 reais a cada plantão de 12 horas, mas o oponente insistiu em demonstrar o holerite e afirmar que a saúde pública paulista vai mal.

Em nova queixa, Alckmin disse que o público assistia “a uma aliança inédita, entre o PT e o malufismo.” Logo depois, Mercadante afirmou que o que o  estava sendo exposto “era uma profunda solidão do PSDB”, em razão do que chamou de descontentamento da população com a hegemonia tucana no estado.

“A legenda (PSDB) é incapaz de fazer autocrítica e assumir os erros cometidos”, afirmou.
Ao fim do evento, Alckmin disse que sentia ter havido um “complô” contra si e reclamou que os demais candidatos deveriam ter questionado os “problemas do PT”. E foi embora pedindo votos também para José Serra.

Todos os outros componentes comemoram seus próprios desempenhos, afirmando que o debate havia sido uma oportunidade para demonstrar suas propostas. “Pudemos mostrar que muita coisa precisa ser feita para voltarmos a ter a predominância econômica que São Paulo sempre teve”, disse Skaff.

“Mostramos que temos um projeto que pensa o estado daqui a algumas décadas”, avaliou Fabio Feldmann. “Temos propostas sérias, que se opõem ao pensamento comum orienta os demais partidos”, afirmou Paulo Bufalo. “O público viu que queremos o melhor para São Paulo”, festejou Russomano.

Mercadante, porém, era o mais animado. “A eleição começa uma nova fase a partir de hoje (já na madrugada desta sexta-feira (13)”, acreditando na contundência das críticas à sucessão de governos tucanos apresentadas no debate.