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Ao lançar programa, Marina ironiza Indio por "falar demais"

Candidata do PV apresenta plataforma geral em caderno de 40 páginas, e critica "fulanização" de políticas, com disputa por autoria de projetos
por suzanavier publicado , última modificação 27/07/2010 13h40
Candidata do PV apresenta plataforma geral em caderno de 40 páginas, e critica "fulanização" de políticas, com disputa por autoria de projetos

Marina Silva, candidata do PV à Presidência, e seu vice, Guilherme Leal, anunciam a nova versão do programa de governo, em São Paulo (Foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress)

São Paulo - Em um raro momento de ataque a adversários, a candidata do PV à Presidência da República Marina Silva ironizou os ataques de Indio da Costa (DEM) contra o PT. No lançamento de seu programa de governo, a candidata de oposição em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de votos disse que "Indio que fala demais não é índio". Em seguida, se desculpou pela brincadeira. "Desculpa, desculpa", ajustou.

Na semana passada, o vice de José Serra (PSDB) acusou o PT, da candidata governista Dilma Rousseff, de ter relações com as Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia (Farc), com o narcotráfico e o crime organizado. Os ataques renderam um direito de resposta ao PT no site do PSDB, onde as acusações foram inicialmente publicadas.

Nesta terça-feira (27), Marina fez a crítica velada a Indio quando explicava o processo de formulação das propostas de seu plano de governo. Para questões indígenas, ela elogiou seus assessores que lidam com o tema por falar pouco, a exemplo do que fazem os índios, segundo ela. Ela não mencionou diretamente o nome do vice de Serra, mas provocou risos na plateia.

Na segunda-feira (26), Marina havia defendido Dilma por sua luta contra a ditadura. Questionada sobre o uso do termo "terrorista" para designar a luta da ex-ministra contra a repressão do regime militar, a candidata do PV lembrou que muitos jovens lutaram pela democracia, assim como sua concorrente.

Propostas

O caderno de 40 páginas reúne, segundo a explicação da própria candidata, um "programa de governo aberto", porque não detalha questões operacionais. O motivo da opção é por não ter "a máquina nas mãos" para saber a real situação das finanças públicas. "Não vamos fingir que vamos fazer algo operacional sem ter contato com a realidade", disparou.

As diretrizes, apresentadas nesta terça, foram classificadas pela equipe de Marina Silva de "programa de governo ampliado" e incluem novos temas como turismo, além de ampliar a discussão sobre segurança pública, saúde e educação. Durante a apresentação do novo programa e coletiva à imprensa, Marina dividiu as explanações com colaboradores e membros da direção do partido.

Marina lamentou ainda a tentativa de seus adversários de assumir a autoria de projetos e políticas públicas como a criação dos genéricos. "A 'fulanização' da política é uma mania que os políticos têm de querer ser donos das ações (do Estado)", lamentou.  "Acredito em política com P maiúsculo", afirmou.

No início de julho, Serra foi criticado por se dizer criador do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) uma vez que o projeto de lei que culminou na alocação do recurso foi apresentada por Jorge Uequed (PMDB). Dilma Rousseff costuma ser apresentada como "mãe do PAC" – as duas versões do Programa de Aceleração do Crescimento – e do programa Luz para todos. Também em julho, Serra afirmou ser o criador dos genéricos.

Para ganhar

Alfredo Sirkis, coordenador da campanha de Marina e candidato a deputado estadual pelo PV do Rio, garantiu, durante coletiva à imprensa, que a campanha da senadora é para ganhar. "A candidatura de Marina é totalmente diferente da minha em 1998. Marina tem chance de ser a próxima presidente", defendeu.

Para responder sobre corte de gastos públicos, Marina pediu para o vice, Guilherme Leal, explicar as futuras ações de governo. "Vamos trabalhar evitando desperdícios, com transparência e boa governança, com um crescimento dos gastos públicos limitado à metade do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto)", argumentou o empresário.

Carga tributária e salário mínimo

Em relação a uma possível reforma tributária em seu governo, a presidenciavel afirmou que deve seguir o príncípio de justiça tributária, mas não garante que haverá redução da carga. "Reduzir depende da eficiência, mas tenho compromisso de não aumentar", anunciou.

Questionada pela reportagem da Rede Brasil Atual sobre sua política de governo para a valorização do salário mínimo, Marina voltou a mencionar que depende das contas públicas. "A gente tem de ver no momento, com as contas públicas. O que é ideal e justo para a população, além de recuperar a inflação, é que se possa dar o ganho real de salário, mas isso tem de ser visto à luz da realidade", ponderou Marina.