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Aliados de Lula saem na frente no RJ em disputas sem Garotinho

Cabral lidera pesquisas com folga, mas Senado está indefinido. Líder do PR ainda acreditam em reviravolta que recolocaria o ex-governador na corrida pelo Palácio Guanabara
por Maurício Thuswohl, especial para Rede Brasil Atual publicado , última modificação 27/07/2010 18h45
Cabral lidera pesquisas com folga, mas Senado está indefinido. Líder do PR ainda acreditam em reviravolta que recolocaria o ex-governador na corrida pelo Palácio Guanabara

Cabral é principal beneficiado em cenário sem Garotinho (Foto: Nelson Perez/Divulgação)

Rio de Janeiro – Os resultados das primeiras pesquisas de opinião divulgadas pelos institutos Datafolha e Vox Populi após o início oficial da campanha eleitoral mostram realidades distintas para as disputas pelo governo estadual e pelo Senado no Rio de Janeiro. Em ambos, os aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva parecem ter se beneficiado mais da retirada da candidatura do ex-governador Anthony Garotinho (PR) da corrida pelo Executivo estadual.

os números confirmam que o governador Sérgio Cabral (PMDB) poderá ser reeleito já no primeiro turno. Ele aparece com com 53% no Datafolha e 51% no Vox Populi na primeira rodada de pesquisas. Seu adversário mais próximo é Fernando Gabeira (PV), que aparece com 18% das intenções de voto no Datafolha e 15% no Vox Populi.

Aparentemente, só mesmo uma reviravolta política significativa pode mudar o cenário de conforto eleitoral em que se encontra Sérgio Cabral. Esta pode acontecer sob a forma da volta de Anthony Garotinho à disputa pelo Governo do Estado. Antes de ser impelido pela Justiça Eleitoral a desistir de voltar ao Palácio Guanabara, o ex-governador, que sequer foi incluído nas últimas pesquisas Datafolha e Vox Populi, aparecia à frente de Gabeira, com cerca de 20% das intenções de voto.

“A chance de eu voltar a concorrer ao governo nestas eleições é zero”, nega o próprio Garotinho em seu blog na internet. Nos bastidores, no entanto, a direção do PR já trabalha com essa possibilidade, desde que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em decisão que deverá ser anunciada no dia 5 de agosto, acolha o recurso contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral que tornou Garotinho inelegível por três anos a contar de 2008.

Adroaldo Peixoto, presidente regional do PR, não mostra tanta convicção. “Se o TSE permitir, o Garotinho será candidato ao governo. Ele já era o candidato do partido antes e, se voltar, será um movimento político natural”, afirma. Um indício de que o plano para a volta de Garotinho está sendo levado em consideração é o fato de que até agora não foi liberado material de propaganda com o candidato oficial do PR ao governo, Fernando Peregrino. O PR tem comício marcado para o dia 3 de agosto, com a presença da candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), e a expectativa é que durante o evento o próprio Peregrino faça um apelo pela volta da candidatura de Garotinho ao governo.

Senado

O cenário em relação à disputa das duas cadeiras no Senado, no entanto, está embolado, segundo os institutos. O resultado de uma pesquisa divulgada pelo Datafolha na segunda-feira (26) mostra pela primeira vez o senador Marcelo Crivella (PRB, com 42% das intenções de voto) em primeiro lugar, na frente do ex-prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), que aparece em segundo com 31% das intenções de voto.

Outra novidade apresentada pela pesquisa é o crescimento da candidatura de Lindberg Farias (PT), que surge em terceiro lugar com 20% e se consolida à frente do companheiro de chapa Jorge Picciani (PMDB), presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em quarto lugar com 12% das intenções de voto.

"Esse crescimento mostra a força da minha candidatura, que vai crescer ainda mais quando começar a propaganda na tevê e as pessoas souberem que eu sou o candidato do presidente Lula", comemorou o candidato petista.

Debate

Antes da divulgação das pesquisas, Cabral havia anunciado que não iria participar dos debates promovidos pelas TVs Bandeirantes, RedeTV e Globo, previstos para agosto e setembro. O anúncio provocou fortes críticas de Gabeira. “O governador subtrai da população o direito de conhecer os projetos em debate”, disse o deputado verde. A folgada liderança nas pesquisas, no entanto, fez com que o governador voltasse atrás e confirmasse a participação nos debates: “Eu refleti e resolvi participar em respeito à população”, disse.

A falta de debates públicos entre os candidatos, mesmo sobre temas tradicionalmente debatidos nas campanhas eleitorais fluminenses como transportes e segurança pública, entre outros, é por enquanto uma marca das eleições de 2010. Enquanto Cabral aposta na agenda de inaugurações proporcionada pelos projetos em parceria com o governo federal, como as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida, Gabeira procura extrair dos fatos cotidianos munição contra o adversário, gerando bate-bocas por meio da imprensa.

Foi o que fez o candidato da coligação PV-PSDB-PPS durante a semana passada, quando percorreu diversas escolas da rede pública localizadas em áreas de risco. A visita de Gabeira às escolas aconteceu alguns dias depois de o menino Wesley Rodrigues, de 11 anos, ter sido morto por uma bala perdida enquanto assistia aula em um Ciep no bairro de Costa Barros, na Zona Norte da capital. “A polícia deveria evitar um confronto com traficantes, sabendo que há uma escola próxima”, criticou. O governador retrucou. “Meu adversário parece ter escolhido a linha do quanto pior, melhor”, disse Cabral.