Brasil tem condições de superar disputa entre preservação e desenvolvimento, diz Marina Silva

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, afirma que o Brasil tem condições de unir “preservação e desenvolvimento” (Foto: José Paulo Lacerda/ Divulgação) São Paulo – A […]

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, afirma que o Brasil tem condições de unir “preservação e desenvolvimento” (Foto: José Paulo Lacerda/ Divulgação)

São Paulo – A candidata do Partido Verde (PV) à Presidência da República, Marina Silva, disse nesta quarta-feira (16), em São Paulo (SP), que as lideranças políticas e empresariais e os formadores de opinião têm que superar o “velho discurso” para que o país deixe para trás a disputa entre os setores que defendem a preservação do meio ambiente e os que querem o desenvolvimento econômico a todo custo.

“Temos que buscar novas respostas para os problemas que o mundo enfrenta neste momento de crise ambiental, mas não conseguiremos isso se os líderes políticos e empresariais e os formadores de opinião continuarem fazendo esse discurso velho, opondo preservacionismo a desenvolvimentismo”, disse Marina logo após participar de evento em um grande jornal na capital de São Paulo.

Marina diz que é preciso aproveitar o processo eleitoral para discutir um projeto de Brasil que inclua mecanismos e ações capazes de responder aos novos problemas, como o aquecimento global e a redução da emissão de poluentes.

À frente do Ministério do Meio Ambiente de 2003 a 2008, Marina se opôs à realização de obras de infraestrutura, como a transposição do Rio São Francisco e a construção da Usina de Belo Monte, por acreditar que as iniciativas causariam impactos à natureza e às populações afetadas.

Para ela, o debate e a análise aprofundada das propostas dos vários candidatos permitirá que a disputa não se torne um simples plebiscito em que os eleitores avaliariam qual a melhor gestão dos últimos 16 anos, se a de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB , ou do presidente Lula, do PT.

Marina afirmou que o Estado cobra muitos impostos e presta um serviço ruim e prometeu, se eleita, não aumentar a carga tributária, integrar os vários impostos existentes, dando maior transparência a sua aplicação e aplicando o princípio da Justiça tributária ao sistema. E só se possível reduzir a carga cobrada dos contribuintes.

A candidata também disse ser contrária ao aborto, mas garantiu que, se eleita, convocará um plebiscito para que a sociedade se manifeste sobre o assunto. Também disse ser contra a descriminalização das drogas e contra o casamento homossexual, embora entenda que todos devem ter os mesmos direitos, razão pela qual defende o reconhecimento da união civil entre casais homossexuais.

Marina ainda afirmou ser contra a reeleição e que, ao menos para presidente, o mandato deveria ser de cinco anos. Evangélica, elogiou o ensino religioso nas escolas, sem defender a exclusividade da teoria do criacionismo, segundo a qual o ser humano seria resultado da obra de Deus, e não da evolução das espécies.

Marina também voltou a defender a importância de o Brasil eleger, pela primeira vez, uma mulher para governar o país. Perguntada sobre o que a diferenciaria da candidata petista Dilma Rousseff, sugeriu que sua plataforma, ao apontar para um outro modelo de desenvolvimento e de práticas políticas, estaria mais ligada aos valores femininos.

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, está em Paris, na França, onde deu início a uma série de encontros com chefes de Estado e de governo europeus. A previsão é de que a petista retorne ao Brasil no domingo.

O candidato do PSDB, José Serra, passou o dia em São Paulo, sem cumprir compromissos públicos.