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Marta confirma que deve concorrer ao Senado e Mercadante, ao governo de SP

Em entrevista à Rede Brasil Atual, ex-prefeita afirma que pode fazer a diferença no Senado e que indefinição de Ciro Gomes 'atrasa' PT em São Paulo
por João Peres, da RBA publicado , última modificação 04/03/2010 16h25
Em entrevista à Rede Brasil Atual, ex-prefeita afirma que pode fazer a diferença no Senado e que indefinição de Ciro Gomes 'atrasa' PT em São Paulo

A ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, confirmou em entrevista à Rede Brasil Atual que tem grandes chances de ser a candidata do PT ao Senado por São Paulo, embora a disputa pelo governo estadual não esteja descartada. Em conversa por telefone, ela brincou ao dizer que a indefinição do deputado federal Ciro Gomes (PSB) entre a candidatura ao Planalto e ao governo de São Paulo atrasa os planos do PT no estado.

Marta Suplicy disse que o Senado está precisando de alguém "que faça a diferença" e que se considera indicada para cumprir a função. Citando dados sobre falhas das administrações da capital e do estado de São Paulo, ela disse que o período tucano no Palácio dos Bandeirantes, de quase duas décadas, está próximo da saturação porque a população não está satisfeita.

Confira a seguir os principais trechos da conversa.

RBA - Neste momento, qual sua candidatura mais provável?

Eu me pus à disposição do partido para o que puder auxiliar mais a candidatura da Dilma [Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil e candidata do PT à presidência]. Pode ser para deputada federal, senadora ou governadora.

RBA - A indefinição de Ciro Gomes, se concorre ao governo de São Paulo ou ao Planalto, é algo que mexe com o PT?

Não é o que mexe, é o que atrasa (risos). Agora, o PT caminha muito tranquilo. Não temos nenhuma discordância de que, se o Ciro não vier, o candidato ao governo de São Paulo possa ser o Mercadante, e eu para o Senado. Esse panorama está muito bem encaminhado. Vamos ver agora como as negociações prosseguem.

RBA - Para o Senado, ao que tudo indica, teremos em São Paulo muitas candidaturas, algumas de uma oposição forte ao PT, como tucanos e democratas. A senhora se vê bem posicionada nessa disputa?

Muito bem. Sempre fiz uma diferença grande onde eu entrei. Seja no TV Mulher, seja depois, no Congresso, colocando a questão GLBT na discussão nacional, depois como candidata ao governo, como prefeita, como ministra, mesmo ficando apenas um ano no Ministério do Turismo. Eu faço a diferença e, no Senado, seria bom alguém que faça a diferença.

RBA - A senhora tem uma aceitação muito grande na periferia de São Paulo, o que indicaria uma eleição fácil para a Câmara dos Deputados.

Não vejo por que não seria assim para o Senado. Na última pesquisa Datafolha, José Serra tinha 32% e eu, 28%, empate técnico. No Senado é mais fácil, pois são dois votos. Nessa mesma pesquisa, eu tinha 16% no interior, sendo que não vou ao interior há dez anos. Acho que a disputa para o Senado é sempre árdua, mas ao mesmo tempo as chances são muito grandes.

RBA - Já que a senhora falou sobre pesquisas, os levantamentos recentes mostram o crescimento da candidatura da ministra Dilma Rousseff. Naturalmente o PT vê com otimismo essa campanha, mas quem será o adversário de Dilma?

O adversário eu não sei. Pelo que a gente lê nos jornais, José Serra está fazendo movimentos que indicam isso, mas não é garantido. Em relação a nós, a animação é muito grande porque atingimos um alto patamar muito antes do que estávamos esperando. Achamos que há grande probabilidade de que ela seja eleita.

RBA - Pensando já em 2012, a senhora ainda gostaria de retornar à prefeitura de São Paulo?

Está muito longe. Precisamos esperar. Mas quando vejo o que está ocorrendo em São Paulo, principalmente em relação ao Centro, aí me dá muita indignação, muita vontade de poder estar lá, fazendo a diferença.

O editorial que saiu no Estado, sobre os albergues, ele manipula um pouco a verdade dizendo que em nove ou dez anos o número de pessoas na rua aumentou em nove mil. Quando eu saí [da prefeitura], eram 650. O que houve foi um enorme desmonte da política social do nosso governo, com o fechamento de vários albergues, inclusive um que tinha prestígio internacional, que era o Boracéia.

Quando a gente vê o que foi fechado pela cidade, investimentos em corredores de ônibus, em que nada foi feito, o abandono do Centro, com a especulação imobiliária na Cracolândia, tudo isso me dá vontade de voltar. Mas é muito cedo. A conjuntura vai mudar, outros fatores vão entrar, não penso nisso neste momento.

RBA - Agora, falando sobre o governo do estado de São Paulo, o PSDB já leva mais de 15 anos no comando. É um período homogêneo ou vemos mudanças ao longo do tempo?

Mudanças sempre ocorrem porque, apesar de ser o mesmo partido, os gestores são diferentes. Vejo uma coisa comum entre todos, que é a falta de investimento em transporte eficiente para a população, seja nas estradas, seja na capital.

O metrô de São Paulo foi começado junto com o da Cidade do México, no fim dos anos 1960. Hoje, o México tem 430 quilômetros, e nós temos 62. E, nesses últimos 20 anos, quem estava no poder eram os tucanos, ou seja, foram todos igualmente muito fracos.

E na questão da violência eles não aportaram nenhuma solução, porque as cidades continuam cada vez mais violentas. Não houve investimento no setor de inteligência da polícia.

Em relação à educação, o desempenho paulista é pífio. No ensino médio, estamos três anos atrasados com relação à média nacional. A melhoria é muito devagar. Tivemos momentos piores, mas nada indica que estejam fazendo uma revolução, e São Paulo precisa de uma revolução.

RBA - Serão esses os temas principais que a senhora vai defender durante a campanha?

São temas importantes, mas o programa do PT está pronto. Então, vou me ater a esse programa.

RBA - O PT tem, ao longo dos últimos anos, garantido duas das três cadeiras paulistas no Senado, ao passo que, no governo de São Paulo, como dissemos, temos quase duas décadas de PSDB. A responsabilidade maior é por manter esses cargos ou lutar por uma nova cadeira?

Sentar na cadeira antes da hora é sempre ruim. Da mesma maneira que eles (o PSDB) estão há tanto tempo, tudo tem um começo, um meio e um fim. E uma saturação. Não acredito que a população esteja tão satisfeita com o desempenho deles nesses últimos vinte anos.

Agora, a verdade é que eles têm uma estrutura muito grande e são extremamente fortes. É uma bancada extremamente aguerrida, mas existe uma brecha para ganhar.