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Advogado da Bancoop aponta contradições de promotor

Para Pedro Dallari, promotor José Carlos Blat faz uso político do Ministério Público. Deputado Federal Cândido Vacarezza desafia promotor a provar saques em dinheiro
por Redação da RBA publicado , última modificação 09/03/2010 15h17
Para Pedro Dallari, promotor José Carlos Blat faz uso político do Ministério Público. Deputado Federal Cândido Vacarezza desafia promotor a provar saques em dinheiro

São Paulo - Em entrevista à Rádio Brasi Atual, nesta terça-feira (9), o advogado da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), Pedro de Abreu Dallari, considerou contraditória e com motivação política a atuação do promotor José Carlos Blat que apura supostas irregularidades na Bancoop.

"É contraditório que ao mesmo tempo o promotor se mostre tão certo das coisas e jamais tenha tomado nenhuma medida", aponta. "Por que quando o promotor tem certeza do delito, ele move uma ação criminal. Se ele está convicto, ele teria de mover uma ação e nunca moveu. O próprio Jornal Nacional (TV Globo) informou que daqui a três meses ele vai propor uma ação", destaca. O advogado explica que existe apenas uma investigação sobre o assunto, sem medida judicial em andamento.

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Para Dallari, o promotor age de forma irresponsável e utiliza o Ministério Público de São Paulo (MP) para uso político. "É evidentemente o uso pelo promotor Blat do Ministério Público para fazer política", diz. "Isso mostra irresponsabilidade. Os promotores dão  entrevistas quando promovem a ação. É realmente algo muito errado fazer acusação sem propor ação no MP, porque não dá nem o direito da outra parte se defender, porque não sabe do que está sendo acusado, não tem processo", analisa.

Má-fé

Durante a entrevista, Dallari considerou a atuação da revista Veja antiética e a reportagem de má-fé. "Ela [revista Veja] não se dá o mínimo respeito de ouvir aqueles que está atacando. Aquele mínimo que se exige do ponto de vista ético que é ouvir o outro lado não foi feito".

Para ele, a intenção da revista é atacar o novo tesoureiro do PT e justificar a abertura de uma CPI na Assembleia Legislativa de São Paulo. "O PSDB havia pedido no passado a instalação de uma CPI", contextualiza. "A matéria de Veja esquenta a CPI, cria factóides que possam ser utilizados no âmbito de uma comissão parlamentar de inquérito para justificar convocações. Porque não há nada. O que aparece na matéria já apareceu em anteriores, foi debatido, foi discutido e os dados foram apresentados", aponta. "No entanto, isso está sendo requentado agora para poder esquentar a CPI e atacar a figura do Vaccari que é o novo tesoureiro da comissão executiva nacional do PT", afirma Dallari.

Desafio

Segunda reportagem da Folha de S. Paulo, o líder do governo na Câmara dos Deputados, deputado Cândido Vacarezza (PT-SP), desafiou o promotor José Carlos Blat a provar que o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, sacou recursos em dinheiro da Bancoop. Se o promotor comprovar que houve saques em dinheiro, o petista renuncia ao seu mandato na Câmara.

"Se tiver R$ 30 milhões ou R$ 100 milhões de saque na boca do caixa, renuncio ao meu mandato. Se não tiver, ele renuncia ao cargo dele no Ministério Público", afirmou.

"Essa é uma denúncia vazia que, no período eleitoral, ganha situações que em outras ocasiões não teriam impacto nenhum", pontuou. Vacarezza também acusou Blat de não cumprir o seu papel de promotor ao divulgar "denúncias vazias". 

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