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Lula e Dilma defendem aliança com PMDB

Executivo se preocupa com governabilidade e pede "tratamento justo" ao presidente do Senado. Em nota, Sarney se defende de acusação de sonegação
por anselmomassad publicado , última modificação 03/07/2009 15h40
Executivo se preocupa com governabilidade e pede "tratamento justo" ao presidente do Senado. Em nota, Sarney se defende de acusação de sonegação

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, chega ao CCBB (Foto: Antonio Cruz/ABr)

A ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff defende que não se deve personalizar a crise política do Senado sobre José Sarney (PMDB-AP). Para ela, a responsabilidade também é do DEM. A declaração foi dada enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reunia com Sarney. Em reunião com a bancada do PT na Casa na quinta-feira (2), Lula manifestou ampla preocupação com a manutenção da governabilidade, o que passa por uma aliança sólida com os pemedebistas.

"Não concordo em demonizar o presidente Sarney e responsabilizá-lo por toda esta crise", afirmou Dilma no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), sede provisória do governo. "Não concordo com o tratamento desequilibrado que dão ao presidente Sarney", completou.

"O modelo é estranhamente culpabilizar uma pessoa por uma coisa que tem mais de 15 anos e por uma prática que tem mais de 15 anos, como se ela fosse a responsável", acrescentou Dilma. "Se a Casa foi dirigida na primeira-secretaria pelo DEM, o DEM também tem que prestar contas", cutucou.

Para a ministra, existe um modelo no Brasil "que da pizza" ao mesmo tempo em que esconde a questão debaixo do tapete. "É assim: pega a pessoa, liquida e a torna responsável por tudo."

Sarney foi recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira (3) e deixou o CCBB sem dar entrevistas. Lula acredita que a aliança com o PMDB de Sarney é essencial para manter a governabilidade. O apoio do PMDB também é almejado para a sucessão presidencial de 2010. Um afastamento temporário dificilmente seria revertido, o que poderia aprofundar a crise política.

Senadores petistas, em coletiva, anunciam adiamento da definição sobre Sarney (Foto: Roosewelt Pinheiro/ABr)

A bancada do PT pediu o afastamento temporário de Sarney para permitir investigações e a superação da crise. A posição definitiva do partido deve ser estabelecida na próxima terça-feira (7).

"A oposição tem interesse em aprofundar a crise política no Senado", declarou Aloísio Mercadante, líder do PT no Senado. Na quinta-feira, no plenário do Senado, antes do encontro com Lula, Mercadante buscou responsabilizar o conjunto dos senadores.

Bem não declarado

Sarney respondeu, em nota, à acusação de ter omitido a posse de uma casa de R$ 4 milhões de sua declaração de bens apresentada em 2006. "Por equívoco do contador, em 2006, foi apresentada à Justiça Eleitoral a mesma lista de bens de 1998", afirma a nota. A denúncia de omissão foi publicada na edição desta sexta-feira (3) do jornal O Estado de S.Paulo.

Um contrato de venda foi registrado, segundo a nota, após leilão em 1997, mas a transferência da escritura teria ocorrido apenas dez anos depois, ao final do pagamento parcelado. "Durante esse período, o imóvel permaneceu em domínio de seu antigo proprietário, motivo pelo qual não foi incluído na declaração de Imposto de Renda de 1998 e, por consequência, não foi informado à Justiça Eleitoral naquele ano."

À nota, foi anexada uma declaração do Tribunal de Contas da União (TCU), assinada pelo secretário de Fiscalização de Pessoal Alessandro Gilberti Laranja, atestando que a posse da casa está registrada na declaração de Imposto de Renda de Sarney no período de 1999 a 2007, exercícios 2000 a 2008.

Investigação

A Polícia Federal solicitou ao Senado que encarregue um servidor para ficar à disposição durante as investigações sobre os atos administrativos não-publicados. O inquérito se limita a funcionários de empresas terceirizadas, incluindo empréstimos consignados, informou o ministro da Justiça Tarso Genro. O neto do presidente do Senado, José Adriano Sarney, tem uma empresa que faz intermediação de contratos de crédito debitado em folha de pagamentos entre funcionários da Casa e os bancos.

"A PF só vai investigar deputados e senadores se houver determinação do Supremo (Tribunal Federal)", afirmou Genro. "Nas suas investigações ordinárias, a PF investiga servidores, empresas e lobistas que tenham algum tipo de influência. Quando a investigação deve passar para uma esfera de parlamentares, aí ela só age por determinação do STF, a pedido do Ministério Público", sustentou.

Enquanto as investigações não avança a instalação do conselho de ética no Senado para analisar os atos secretos, a ação do TCU foi solicitada pelo Senado. Foi publicado no Diário Oficial da União desta sexta-feira (3) um pedido de auditoria "de natureza contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial" nos contratos do Senado Federal e na folha de pagamentos da Casa, inclusive dos estagiários.

Com informações da agência Reuters e Agência Brasil

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