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Famílias sem terra mantêm ocupação no ABC e aguardam acordo

Duzentas famílias negociam assentamentos em área da Companhia Energética de São Paulo. Definição pode sair no próximo mês
por Gilson Monteiro, Jornal Brasil Atual publicado , última modificação 29/05/2009 10h53
Duzentas famílias negociam assentamentos em área da Companhia Energética de São Paulo. Definição pode sair no próximo mês

Mais de duzentas famílias aguardam posse definitiva no município de Paulicéia. O primeiro grupo de famílias chegou ao local em 2005. Com o passar do tempo, outras pessoas foram se juntando ao movimento que hoje conta com mais de quinhentas pessoas, algumas crianças nasceram em acampamentos.

A área em questão é de aproximadamente 5,4 mil hectares. Três, dos quatro terrenos ocupados, pertencem à Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que, em 1998, desapropriou o espaço para a realização de obras de alargamento do Rio Paraná.

Segundo José Luiz das Chagas, do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar e dos Trabalhadores Rurais de Tupi Paulista, um problema no projeto justificou a ocupação. "Quanto já tinham comprado essas áreas, tiveram de mudar o projeto e essas áreas externas ficaram sobrando, o lago não encheu", contou Chagas ao Jornal Brasil Atual. "A Cesp, a gente percebeu, não estava cuidando dessas terras, aí fizemos a ocupação para reivindicar essa área para assentamento, já que a Cesp não tinha nenhuma utilidade", completa.

José Luiz das Chagas afirma que as condições de sobrevivência nos acampamentos são complicadas. Algumas famílias mantém plantio na área, mas a falta de alimentos é o que torna a vida dos acampados ainda mais difícil. Para ele, a luta pelo chão justifica todas as complicações. “Para nós, a luta pela terra traz uma segurança. Você ter um lugar para morar, terra para trabalhar, ser mais livre. É diferente de uma pessoa que vive na cidade e depende do emprego.”

A liderança conta que negociações com a Cesp já deram resultados. Acordos a serem confirmados no próximo mês poderão viabilizar a compra das fazendas pelos trabalhadores rurais. O terreno particular que também foi ocupado já possui laudo do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) como improdutivo.

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