Gaza

Netanyahu cede a pressões da extrema direita e dissolve gabinete de guerra

O primeiro-ministro aboliu o grupo especial após a saída do general centrista Benny Gantz. O ministro ultra direitista Ben-Gvir, ferrenho defensor dos ataques que mataram mais de 37 mil palestinos, pleiteia espaço nas decisões sobre o conflito

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Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu deve consultar agora poucos ministros sobre os rumos da guerra

São Paulo – O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, dissolveu o gabinete de guerra, segundo informaram as agências Reuters e Associated Press nesta segunda-feira (17). A dissolução, conforme um funcionário de alto escalão do governo, ocorreu após a saída do ex-general centrista Benny Gantz. Mas pesou a pressão da ala de extrema direita da coalizão que o sustenta Netanyahu.

A expectativa é que o primeiro-ministro mantenha consultas sobre a guerra de Gaza com um pequeno grupo de ministro. Isso inclui o ministro da Defesa, Yoav Gallant, e o ministro dos Assuntos Estratégicos, Ron Dermer, integrante do gabinete dissolvido.

Com a saída de Benny Gantz, aliados nacionalistas-religiosos da sua coligação passaram a pressionar. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, e o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir. Eles exigem a inclusão no gabinete de guerra em um momento de aumento das tensões com parceiros internacionais, Estados Unidos inclusive.

Líder de um partido de extrema-direita, Ben-Gvir é o mais radical do governo de Benjamin Netanyahu. E também um feroz defensor das incursões e bombardeios na Faixa de Gaza. São ataques que desde o início de outubro já mataram mais de 37 mil palestinos. No início do ano, ele ameaçou deixar o governo caso Netanyahu não invadisse Rafah, no extremo sul de Gaza. A região é considerada o último refúgio para civis que fugiam dos bombardeis e invasões israelenses.

Ultra nacionalistas influenciam Netanyahu, dizem críticos

Já Benny Gantz, antigo rival político de Netanyahu, juntou-se ao governo em demonstração de unidade após o ataque do Hamas, em 7 de outubro. Mas deixou o governo no início do mês, alegando frustração com os rumos da guerra determinados por Netanyahu. A criação do gabinete, aliás, foi exigência de Gantz e seu partido para adesão à coalizão, que reagiram ao ataque surpresa do grupo Hamas, que matou 1200 israelenses.

Para os críticos, Netanyahu foi influenciado por ultranacionalistas do seu governo nas decisões sobre a guerra, o que se opõem a um acordo que levaria a um cessar-fogo em troca da libertação de reféns. Eles manifestaram apoio à “migração voluntária” de palestinos da Faixa de Gaza e à reocupação do território.

Neste domingo (16), as Forças de Defesa de Israel (FDI) anunciaram uma pausa de algumas horas nos bombardeios a Gaza, para facilitar a entrada de ajuda humanitária. Trata-se de uma exigência de aliados internacionais, como os Estados Unidos, que enfureceu os ministros radicais do governo.

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Redação: Cida de Oliveira, com informações do g1