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Lula propõe ao papa campanha por ‘mundo mais humano’

“Você pode fazer isso”, respondeu Francisco ao apelo do presidente brasileiro. Lula também teve reuniões bilaterais com Macron, Modi, Erdogan e Ursula von der Leyen

Ricardo Stuckert/PR
Ricardo Stuckert/PR
Ao papa Francisco, Lula demonstrou preocupação com o avanço das desigualdades

São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta sexta-feira (14) com o Papa Francisco, durante a cúpula do G7, na Itália. A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, também participou do encontro. O líder brasileiro sugeriu ao pontífice a realização de uma campanha de combate às desigualdades.

“Desigualdade de raça, desigualdade de gênero, desigualdade na educação, desigualdade na saúde… Eu quero ver se a gente faz uma campanha para tornar o mundo mais humano”, disse Lula. Francisco então endossou a proposta. “Você pode fazer isso”.

Pelas redes sociais, o presidente brasileiro ressaltou a conversa “sobre paz, combate à fome e a necessária redução das desigualdades no mundo”. Além disso, também destacou a campanha “por um mundo mais humano e menos desigual”.

Francisco se tornou o primeiro líder da Igreja Católica a participar do encontro de líderes ocidentais. Mais cedo, ele disse que “os humanos não devem perder o controle” da Inteligência Artificial (IA). Ele disse que a IA representou uma “transformação histórica” para a humanidade, mas enfatizou a necessidade de uma supervisão estreita da tecnologia.

Por outro lado, é a oitava vez que Lula participa, como convidado, da reunião do G7. Em seu discurso, pediu apoio dos países desenvolvidos à proposta de taxação dos super-ricos e de combate à fome e à pobreza. Também apelou pelo fim das guerras da Ucrânia e em Gaza.

Bilaterias com Macron, Modi, Erdogan e Ursula von der Leyen

Além do encontro com o papa, Lula realizou uma série de reuniões bilaterais com outros líderes, à margem da cúpula do G7. Com o presidente francês, Emmanuel Macron, o brasileiro retomou o debate sobre a colaboração dos países no combate ao garimpo ilegal no Brasil e na Guiana Francesa. Em março, durante visita de Macron ao país, eles firmaram um acordo em torno do combate às ameaças à segurança e ao meio ambiente, e os riscos à saúde que afetam a região transfronteiriça.

Além disso, também trataram da cooperação em outras áreas, como a Cultura, com o lançamento do Ano do Brasil na França e da França no Brasil, entre maio e dezembro de 2025. A programação dos eventos festivos, agendadas para maio e junho, inclui seminários, performances teatrais, festival de música e culinária e um debate sobre a literatura brasileira. Macron também convidou Lula para uma visita de Estado à França.

Lula também se encontrou com primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. Recentemente reeleito, o líder indiano confirmou presença na Cúpula do G20 no Brasil em novembro. A Índia precedeu o Brasil na Presidência do grupo no ano passado. Além disso, Lula afirmou a Modi que pretende fazer uma visita ao país asiático.

Na bilateral com o presidente da Turquia, Recep Erdoğan pediu apoio de Lula para que seu país passe a integrar o BRICS, bloco de países originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que teve em 2023 as adesões de Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã.

O líder brasileiro se encontrou ainda com a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a parabenizou pelo resultado do seu bloco nas eleições europeias. Eles voltaram a tratar ainda da negociação do acordo entre União Europeia e Mercosul