JUSTIÇA SOCIAL

Lula pede no G7 apoio a propostas de taxação dos super-ricos e de combate à fome e à pobreza

O presidente brasileiro discursou nesta sexta-feira (14) na Cúpula do G7 em Plugia, na Itália. Pedido de esforços pelo fim das guerras da Ucrânia e em Gaza também marcou a mensagem aos líderes de sete dos países mais ricos do planeta

Roberto Stuckert
Roberto Stuckert
Presidente Lula e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, anfitriã da cúpula do G7

São Paulo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discursou nesta sexta-feira (14) na Cúpula do G7 em Plugia, na Itália, pedindo apoio à proposta de taxação dos super-ricos e de combate à fome e à pobreza. O fim das guerras da Ucrânia e em Gaza também marcou a mensagem de Lula aos líderes de sete dos países mais ricos do planeta.

Lula destacou que a promoção do emprego decente e a inclusão social são alguns dos temas que tratou nesta quinta-feira (13) na Conferência Internacional do Trabalho da OIT, em Genebra. “É nesse contexto de combate às desigualdades que se insere a proposta de tributação internacional justa e progressiva que o Brasil defende no G20. Já passou da hora dos super-ricos pagarem sua justa contribuição em impostos. Essa concentração excessiva de poder e renda representa um risco à democracia”.

O presidente brasileiro lembrou que muitos países em desenvolvimento já formularam políticas eficazes para erradicar a fome e a pobreza. E que o objetivo do país, no G20, é mobilizar recursos para ampliá-las e adaptá-las a outras realidades.  O apoio de todos os presentes nesta reunião à Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que lançaremos na Cúpula do G20 no Rio de Janeiro, será fundamental para dar fim a essa chaga que ainda assombra a humanidade”.

Lula criticou a inoperância das nações, que permitem a perpetuação de privilégios e, ao mesmo tempo, a escalada de gastos com a indústria bélica. “O ano de 2023 viu o gasto com armamentos subir em relação a 2022, chegando a 2,4 trilhões de dólares”.

E associou os lucros dessas indústrias com a violação de direitos e a morte, que se espalha em áreas em guerra. “Em Gaza, vemos o legítimo direito de defesa se transformar em direito de vingança. Estamos diante da violação cotidiana do direito humanitário, que tem vitimado milhares de civis inocentes, sobretudo mulheres e crianças”, destacou o presidente.

Ele lembrou que tal situação levou o Brasil a endossar a decisão da África do Sul de acionar a Corte Internacional de Justiça conta Israel, que já matou mais de 37 mil palestinos desde o início de outubro só na Faixa de Gaza. Do mesmo modo, que o Brasil condenou de maneira firme a invasão da Ucrânia pela Rússia.

“Já está claro que nenhuma das partes conseguirá atingir todos os seus objetivos pela via militar. Somente uma conferência internacional que seja reconhecida pelas partes, nos moldes da proposta de Brasil e China, viabilizará a paz. O G7, o BRICS e o G20 reúnem as maiores economias do planeta. O futuro que compartilharemos dependerá de nossa capacidade de superar desigualdades e injustiças históricas para vencer as batalhas que a humanidade enfrenta hoje”.

Esta é a oitava vez que o Brasil é convidado para participar do encontro com o bloco de sete dos países mais ricos, formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Em todas as ocasiões, desde 2003, o país foi representado pelo presidente Lula.

Lula no G7

Antes do encontro nesta sexta, Lula participou nesta quinta (13) de conferência da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em Genebra, Suíça. Como “representante dos trabalhadores”, no evento mundial que teve como tema “justiça social”, o petista voltou a criticar o aumento da concentração de renda e a defender a tributação das fortunas. No discurso, o presidente destacou o aumento do número de bilionários, um total de 3 mil pessoas que detêm quase US$ 15 trilhões em patrimônio.

“Isso representa a soma dos PIBs de Japão, Alemanha, Índia e Reino Unido”, disse, ao pedir um novo “modelo de globalização”. Os compromissos de Lula ocorrem ainda em meio à repercussão mundial do aumento da presença da extrema direita no parlamento da União Europeia. O cenário despertou reações, como no presidente a França, Emmanuel Macron. O líder francês dissolveu o parlamento francês e convocou novas eleições.

Lula, inclusive, deve se reunir com Macron nesta sexta na Itália. À margem da cúpula, o brasileiro também terá agenda com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o encontro debaterá o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O documento está travado há mais de duas décadas e, no momento, passa por revisão de trechos no documento.

Lula convidará o Papa para a COP 30

O Itamaraty também confirmou uma reunião bilateral de Lula o presidente da África do Sul, Cyrill Ramaphosa, e com o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, reconduzido ao carsgo neste mês de junho pela terceira vez.

Lula pediu ainda para ser recebido pelo Papa Francisco. Segundo o Planalto, o presidente pretende convidar o pontífice para 30ª edição da Conferência do Clima das Nações Unidas, a COP 30, que será realizada em 2025 em Belém.

Redação: Clara Assunção