Eleição

Domínio das direitas no Parlamento Europeu põe em risco União Europeia

Expectativa é de representantes do PT na Espanha, Itália e Portugal, que participaram do programa Bom para Todos, da TVT. Eleições para o parlamento começam amanhã e vão até o dia 9

Wikimedia Commons
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Plenário do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França

São Paulo – O avanço da extrema direita na Europa e a tendência de domínio do Parlamento Europeu junto com os partidos de direita após as eleições que começam nesta quinta-feira (6) e vão até domingo (9) podem ter efeitos drásticos. E levar até à implosão do bloco, segundo avaliação de representantes do PT na Espanha, Itália e Portugal.

Em participação no programa Bom para Todos exibido pela TVT nesta terça-feira (4), Lílian dos Santos Gonçalves, coordenadora do partido em Madri, Espanha, chamou atenção para o euroceticismo. Ou seja, a ideologia política pautada em linhas de pensamento contrários à integração econômica ou política entre os países defendido por dois partidos, o Renew e o Conservadores. Que podem, inclusive, ganhar mais espaço.

“Conservadores e renovadores tendem a ter mais assentos. E são pessoas que advogam por uma Europa esfacelada, como era antes da União Europeia. São os eurocéticos, que acreditam na política individual, que acham que tem mais vantagem individualmente. E não na relação coletiva”, disse Lílian à apresentadora Talita Galli.

Na sua avaliação, o avanço dessas e outras correntes contrárias à União Europeia e a blocos como o Brics representa diversos retrocessos. Inclusive para o bem-estar social dos europeus. A saúde seria prejudicada, assim como a educação e a ciência, com possibilidade de interferências em universidades. Nesse caso, o prejuízo ao conhecimento como um todo.

Lawfare avança junto com a extrema direita na Europa

O coordenador do PT em Lisboa, Pedro Prola, lembrou que a extrema direita não avança sozinha na Europa. E que conta com a ajuda de campanhas de lawfare, como ocorre no país em que vive. Uma vítima recente foi o primeiro-ministro português António Costa, do Partido Socialista, que entregou o cargo em novembro de 2023 após ser acusado de envolvimento em tráfico de influência.

O presidente Marcelo Rebelo de Souza então dissolveu o Parlamento no início de janeiro e convocou eleições legislativas antecipadas. O PS perdeu por pequena margem para a coligação de centro-direita. E a extrema direita teve aumento expressivo de votação. O retrocesso já tem seus reflexos justamente contra os imigrantes, um dos alvos prediletos da direita.

“Ontem o governo entrou com política de restrição da imigração. Portugal começa a sentir os efeitos dessa lógica de combate à imigração”, disse Pedro, referindo-se à medida divulgada nesta terça-feira (4), que proíbe que pessoas entrem como turistas e fiquem morando no país até conseguir autorização oficial de residência.

Gislaine Marins, coordenadora do PT em Roma, destacou que a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni afinou seu discurso para avançar para o Parlamento Europeu. “Ela vende a ideia de que a Itália vai ser um diferencial na Europa. Esse debate vem sendo feito há muito tempo aqui na Itália em função dos fundos. Economicamente, contribui muito para a União Europeia, mas muitas vezes não recebe os recursos devidos por causa da distribuição conforme a condição de cada país”, disse.

O que dizem as pesquisas?

O Parlamento Europeu é a única instituição diretamente eleita. Não tem tanto poder como a Comissão Europeia e os governos dos países-membros, mas decide sobre as leis propostas pela Comissão junto com os governos e pode rejeitar ou alterar as legislações. Como é a única instituição eleita pelos cidadãos europeus, os seus pronunciamentos têm poder político.

Segundo as pesquisas realizadas na Europa, a participação dos grupos de extrema direita podem até ocupar um quarto dos assentos, com mais dos 17% de hoje. O grupo de extrema direita ID deve passar de 64 assentos para 80. A agremiação inclui membros do Rally Nacional, da francesa Marine Le Pen, e do Lega, do italiano Matteo Salvini.

Os grupos de centro, os liberais do Renew e os Verdes terão uma maioria reduzida, devendo ficar com cerca de 450 cadeiras na Câmara de 720 membros, ante os 491 assentos no atual Parlamento de 705 membros.

Os candidatos são eleitos pelos partidos ao qual são filiados em seus países. Ao entrar no Parlamento Europeu, porém, aderem a grupos políticos não por nacionalidade, mas por orientações ideológicas conforme seu partido de origem.

Há sete grupos políticos no Parlamento Europeu:

  • Partido Popular Europeu (PPE), de centro-direita, com maior número de assentos (176). Deve manter a liderança na próxima legislatura, segundo as pesquisas;
  • Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), de centro-esquerda, com 144 eurodeputados;
  • Renew, liberal, pró-União Europeia, ora se engaja com os conservadores, ora com os socialistas, tem 102 cadeiras;
  • Verdes, com bandeira ambientalista, tem 71 eurodeputados;
  • Em quinto lugar, com 64 assentos cada, estão os grupos de extrema direita que defendem políticas anti-imigração, nacionalistas e são eurocéticos: Identidade e Democracia (ID) e Conservadores e Reformistas Europeus (ECR). E em último lugar, com a menor força (38 assentos), está o partido de extrema esquerda The Left.

Redação: Cida de Oliveira – Edição: Helder Lima