Contra o colapso

França inicia terceiro ‘lockdown’ para frear nova onda de covid-19

Quarentena obrigatória é imposta em 16 regiões do país durante um mês

Force Ouvrière
A região de Paris é considerada o epicentro da epidemia na França, com uma taxa de incidência de 446 casos por 100 mil habitantes em sete dias

São Paulo – A França iniciou, nesta sexta-feira (19), um novo lockdown em diversas regiões do país para evitar o avanço da covid-19 e o possível colapso em hospitais. Com o temor de uma terceira onda da pandemia, a quarentena obrigatória foi decretada em 16 departamentos do país, incluindo a região metropolitana de Paris.

O lockdown afetará cerca de 21 milhões de habitantes e ficará em vigor por pelo menos quatro semanas. O governo estima que o período é necessário para conter a transmissão avançada do coronavírus, que atinge principalmente o norte do país.

As restrições não serão tão rígidas quanto o lockdown anterior. Os moradores ficam proibidos de viajar para outras regiões, mas poderão sair de casa para praticar exercícios ao ar livre durante o dia a uma distância limite de 10 quilômetros. O comércio não essencial ficará fechado nas regiões atingidas, enquanto escolas e creches seguirão funcionando normalmente.

A região de Paris é considerada o epicentro da epidemia na França, com uma taxa de incidência de 446 casos por 100 mil habitantes em sete dias, o que representa aumento de 23% em uma semana. O ministro da Saúde, Olivier Verán, afirma que cerca de 1.200 pacientes estão internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) na capital – número maior do que o pico da segunda onda, em novembro.

Londres e o lockdown

A organização britânica Resolution Foundation é enfática: o atraso no decreto de um lockdown, no final do ano passado, causou 27 mil mortes que poderiam ter sido evitadas no Reino Unido. A afirmação é baseada em estudo publicado, ontem (18), sobre o adiamento da quarentena obrigatória para o início de janeiro.

O estudo mostra que o lockdown deveria ter sido implantado no país ainda em dezembro, quando surgiram evidências do rápido aumento de casos. Com o atraso na decisão de confinar a população, a medida teve que ser menos flexível e duradoura.

“Começar um bloqueio timidamente e com atraso tem sido um desastre, causando milhares de mortes evitáveis. Além do atraso, isso faz com que as restrições tenham que ser mais severas e duradouras do que em outros países, agravando os danos econômicos”, afirmou Mike Brewer, economista-chefe da Resolution Foundation, ao jornal The Guardian.

Por outro lado, o estudo mostra a necessidade de um “auxílio emergencial” para manter as pessoas em casa e empresas vivas. O documento lembra do pacote econômico de € 186 bilhões destinado a minimizar os impactos da pandemia, o que contribuiu para que a “renda familiar permanecesse estável no país, apesar da crise, e para evitar a falência de empresas”.

* Com informações da DW Brasil