Presidente da Bolívia na TVT

Juventude foi fundamental para restabelecer a democracia na Bolívia, diz Luis Arce

Em entrevista à TVT e à CUT nesta quinta-feira, presidente boliviano avalia o processo político de resgate da democracia em seu país e fala dos fracassos do neoliberalismo na América Latina

Divulgação
Arce: quando a repressão às manifestações populares contra o golpe produziu cerca de 40 mortos e os jovens perceberam que os seus direitos estavam sob ataque pelo golpe

São Paulo – A juventude foi fundamental para restabelecer a democracia na Bolívia, diz o presidente do país, Luis Arce, depois do golpe de novembro de 2019, que retirou Evo Morales do poder após ter vencido as eleições.

Eleito em 2020 com amplo apoio popular, graças à mobilização dos jovens nas redes sociais que apoiaram o seu partido, o MAS (Movimento para o Socialismo), para derrubar o golpe no país, Arce acredita que o que aconteceu na Bolívia foi uma tomada de consciência sobre o que de fato é uma ditadura.

A inicial derrocada de Evo Morales se dava graças ao discurso plantado pela direita, de que Evo era um ditador, já que ele se reelegia pela quarta vez. Esse foi um combustível das manifestações naquele momento, explica Arce, em entrevista à TVT, em parceria com a CUT, na noite desta quinta-feira (25).

No entanto, quando a repressão às manifestações populares contra o golpe produziu cerca de 40 mortos e os jovens perceberam que os seus direitos estavam sob ataque, começou a surgir um clima de mudança no pais, protagonizado pela juventude em favor da candidatura de Luis Arce. “Os jovens observam que as mortes foram produtos da repressão duríssima do governo golpista, levada a cabo para aplacar as manifestações contrárias ao golpe. Eles (os golpistas) reprimiram, encarceraram, torturaram dirigentes dos movimentos, em uma total violação de direitos humanos”, afirmou Arce.

Na entrevista, Arce faz referência também às perseguições aos jovens nas redes sociais, bastando para tanto que se mostrassem contrários ao governo golpista. “Isso tudo mostrou exatamente o contrário do que haviam imaginado que seria um ditador, e começaram a viver dentro do governo golpista uma ditadura de verdade”, disse o presidente, referindo-se à mudança da consciência política no país, que levou à sua vitória nas eleições de 2020.

América Latina

Arce também tratou na entrevista das transformações políticas na América Latina, principalmente quanto ao embate entre o neoliberalismo e os governos de inclusão social. Segundo Arce, a população tem optado por modelos socialistas e de bem-estar social em detrimento do neoliberalismo econômico, considerando os resultados de eleições, como foi o caso da Argentina e México.

É muito interessante o que ocorreu com a Argentina e com o México”, disse. A recuperação de um governo de direita que havia na Argentina com o (Maurício) Macri para o companheiro (Alberto) Fernández, que agora governa, é um elemento que nos faz pensar que o modelo neoliberal não pôde se reinventar e se adaptar às novas mudanças”.

Arce também cita o governo de Andrés Manuel López Obrador, no México como outro exemplo de mudança eleitoral que sugere a preferência da população por governos de esquerda. Segundo ele, mudanças ainda podem ocorrer no Equador, que passa neste momento por uma delicada eleição, e também no Chile, atualmente governado por Sebastián Piñera, um governo de direita aliado do Brasil de Jair Bolsonaro.

Confira a entrevista de Luis Arce


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