Pária internacional

Bolsonaro é um problema para Biden na América Latina, diz analista

Presidente dos Estados Unidos recebeu documento que recomendando a suspensão dos acordos, negociações e alianças políticas com o Brasil, enquanto Jair Bolsonaro estiver no poder

Flickr/Adam Schultz
Perguntado quando faria contato com Bolsonaro, Biden apenas riu

São Paulo – Com o início do governo de Joe Biden nos Estados Unidos, o isolamento do presidente Jair Bolsonaro no cenário internacional deve aumentar ainda mais. Nesta semana, o presidente estadunidense recebeu um documento recomendando a suspensão dos acordos, negociações e alianças políticas com o Brasil, enquanto Bolsonaro estiver no poder.

O relatório produzido pela Rede nos Estados Unidos pela Democracia no Brasil aponta graves danos promovidos pelo governo Bolsonaro em questões como direitos humanos e meio ambiente. Além disso, o governo brasileiro também é apontado como o pior do mundo no combate à pandemia.

De acordo com o diretor-editorial do site Opera Mundi, Breno Altman, Biden busca ampliar as relações dos Estados Unidos com neoliberais e forças de centro-direita na América Latina. Ao contrário do antecessor, Donald Trump, que privilegiou contatos com grupos de extrema-direita. “Biden sabe que Bolsonaro é um problema na América Latina”, disse Altman, em entrevista ao Jornal Brasil Atual, nesta sexta-feira (4).

Para os norte-americanos, Bolsonaro é visto como alguém que pode promover situações que saiam do controle, o que facilitaria um eventual retorno de forças de esquerda ao governo. Na semana passada, perguntado quando manteria contato com o presidente do Brasil, Biden apenas sorriu, evitando responder. “Ele não dá sinais de manter uma aliança privilegiada com Bolsonaro. Ao contrário. Vai tentar pressioná-lo, no sentido de moderar suas intervenções político-ideológica e, principalmente, no que diz respeito à questão ambiental”.

Bárbaro chanceler

Para o jornalista, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, compõe a área “patetológica” do governo Bolsonaro. “Do ponto de vista científico-filosófico, é um terraplanista. Do ponto de vista ideológico, é um cidadão cujas ideias estão plantadas na idade média. Um anticomunista enlouquecido. É a expressão desses aspectos mais bárbaros do governo.”

No entanto, para além desses aspectos folclóricos, a atuação do ministro tem danos às relações do Brasil com aliados importantes, como a China. Ernesto já chamou o novo coronavírus de “vírus chinês”. Mais recentemente, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, ele destacou a importância da suposta aliança entre Brasil e Estados Unidos como forma de barrar o avanço de regimes “tecnototalitários”, em referência ao gigante asiático. Esse tipo de declaração vem causando desconforto, inclusive, entre setores do agronegócio brasileiro, já que os chineses são os principais parceiros comerciais do Brasil.

Assista à entrevista

Redação: Tiago Pereira – Edição: Helder Lima