Sabor de golpe

Trump estimula invasão; Biden diz que desordem ‘tem de acabar agora’

Joe Biden diz que palavras de Trump teriam “inspirado ou incitado” invasão do Congresso e pede a presidente que acione rede nacional de TV para determinar “fim desse circo”

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"Isso não é protesto. Estão ameaçando representantes. O mundo está observando. Estou triste e chocado", disse Biden

São Paulo – O presidente eleito dos Estados Unidos, o democrata Joe Biden, afirmou que a democracia está sendo atacada “como nunca antes” na história americana. Biden reagiu à invasão do Congresso por seguidores de atual presidente, o republicano Donald Trump, na tarde desta quarta-feira (6). Na sessão, os parlamentares ratificariam a vitória eleitoral de Biden nas urnas, em novembro.

“Preciso ser claro. Vemos um pequeno grupo de extremistas. Isso não reflete quem somos. Isso é desordem, e não discordar. É caos. Isso precisa acabar agora. Peço que essa multidão se retire e permita que a democracia avance”, afirmou Biden. Ele classificou a invasão do Congresso americano “um ataque contra o interesse do povo”.

Pelo Twitter, Donald Trump havia divulgado mensagens em que não condenou a invasão. Ao contrário, dizia aos manifestantes para permanecer pacificamente na Casa. Isso porque usou palavras como “NÓS somos o Partido da Lei e da Ordem, respeitem a Lei e nossos grandes homens e mulheres em azul”.

Joe Biden reagiu: “As palavras de um presidente podem inspirar, ou na pior das hipóteses, incitar. Peço a Trump que vá à televisão em rede nacional para manter seu juramento e defender a Constituição. Peça o fim desse circo”, afirmou. A invasão do Congresso por extremistas ocorreu na tarde em que os resultados na Georgia – tradicional reduto dos republicanos – confirmaram as duas vagas que asseguraram a maioria do Partido Democrata, já alcançada na Câmara, também no Senado.

Guerras e sofrimento

Em seguida à fala de Biden, o ainda presidente Trump voltou a postar vídeo no Twitter em que reafirma sua convicção de que teria sido “roubado” na eleição, antes de pedir sem muita convicção, que seus seguidores deixem o Capitólio. Trump disse: “Eu sei que vocês estão com dor. Eu sei que machuca. Tivemos uma eleição roubada de nós. Todos sabem isso. Especialmente o outro lado. Mas vocês têm que ir para casa agora. Precisamos de paz. Precisamos de lei e ordem. Não queremos ninguém ferido. É um período difícil. É muito duro quando tiram algo de todos nós. De mim, de você, de todo o país. Foi uma eleição fraudulenta. Mas não vamos jogar nas mãos dessas pessoas. Vão para casa. Amo vocês. Vocês são especiais. Vocês foram maltratados de forma maléfica. Eu sei como vocês se sentem. Mas vão para casa. E vão em paz”.

“Invadiram o Capitólio. Quebraram gabinetes. Isso não é protesto. Estão ameaçando parlamentares. O mundo está observando isso, como muitos americanos. Estou triste e chocado. Sempre fomos um farol para a democracia e chegamos a esse triste momento”, declarou ainda Biden. O presidente eleito afirmou que o país já “passou por guerras e sofrimento”.

“Mas que temos de restaurar a democracia, a decência, a lei”, acrescentou. A confirmação dos votos do Colégio Eleitoral (pauta da sessão do Congresso americano no momento da invasão) é um ritual sagrado. Isso porque reafirma a majestade da democracia nos Estado Unidos. Hoje, a democracia está frágil. Preservar a democracia requer líderes que se levantem”, discursou Biden. “A América é melhor do que isso. Vendo essas cenas no Capitólio, lembro de Abraham Lincoln (presidente americano no século 19). Ele disse que precisamos ser nobres para salvar a melhor esperança da Terra. O caminho é justo e generoso.”


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