Dia histórico

Monica de Bolle: invasão ao Capitólio tenta esconder ‘morte do supremacismo branco’

Para economista Monica de Bolle, derrota dos republicanos na Georigia, que deu maioria aos democratas no Senado, é mais importante que invasão do Capitólio

Thenews2/Folhapress
Supremacistas brancos perderam maioria nos Estados Unidos, mas se recusam a aceitar

São Paulo – Vivendo há anos em Washington, a economista brasileira Monica de Bolle, pesquisadora-sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional (PIIE) e professora da Universidade Johns Hopkins, afirma que a invasão do Capitólio por seguidores de Donald Trump não deve ser encarada como uma tentativa de golpe. Na sua avaliação, o episódio revela na realidade que o supremacismo branco está agonizando nos Estados Unidos.

Em áudio que circulou pelas redes sociais nesta quarta-feira (6), Monica de Bolle diz que mais importante do que as cenas de violência que ocorreram no Congresso foi vitória do democrata Raphael Warnock, primeiro senador negro eleito pelo estado da Geórgia. “A gente tem um levante negro de um lado, e a morte do supremacismo branco, o supremacismo estrebuchante, de outro. É isso que estamos testemunhando agora na televisão. Um dia histórico que vai demarcar exatamente essa divisão dentro do país. Mas é uma divisão diferente”, afirmou.

Renascimento

De acordo com a economista, trata-se de uma espécie de reenactment – reconstituição histórica – da Guerra Civil norte-americana. Também chamada de Guerra de Secessão, o conflito, ocorrido entre 1861-1865, marcou a disputa entre os estados do sul, que queriam a manutenção da escravidão, e os estados do norte, favoráveis à abolição. “São exatamente as mesmas linhas sendo traçadas e atravessadas”, disse Monica de Bolle.

Assim como naquela época, os supremacistas brancos estão perdendo a sua hegemonia. Nesse sentido, os episódios ocorridos nesta quarta-feira (6), apesar de violentos, marcam “o renascimento do pluralismo” nos Estados Unidos. E de uma “abertura para o novo”.

“Estou vendo muita gente interpretar o que está acontecendo aqui como golpe. Essa é uma interpretação errada. Inclusive, em total dissonância com o que é o contexto histórico dos Estados Unidos. Isso importa nesse momento. Não é golpe. A gente está vendo uma ala que se acabou. Uma maioria que está virando minoria. Mas que se recusa a aceitar sua posição inferior. Por outro lado, tem o renascimento do pluralismo. É disso que se trata”.