Nova derrota

Impeachment de Donald Trump passa na Câmara pela segunda vez e segue para o Senado

“Nunca houve traição maior de um presidente dos EUA a seu cargo”, disse a republicana Liz Cheney. “Passar no Senado não é impossível”, diz professor da PUC

Reproduçãoi/Youtube
Deputados reagiram à "traição" de Trump de estimular ataque à democracia do país

São Paulo – A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos – equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil – aprovou no início de noite desta quarta-feira (13) o impeachment do presidente Donald Trump. É a segunda vez que os deputados norte-americanos aprovam pedido de impeachment de Trump. Desta vez. por “incitar” o ataque ao Capitólio no último dia 6. O mandatário viu outro processo ser aprovado em 18 dezembro, mas na ocasião o Senado não confirmou a decisão.

Dez deputados do Partido Republicano, de Trump, votaram contra ele.  Liz Cheney, por exemplo, considerada a terceira na hierarquia republicana na Câmara, filha de Dick Cheney, ex-vice-presidente de George W. Bush, apoiou o impeachment. Segundo ela, representante de Wyoming, o presidente “convocou essa multidão, reuniu essa multidão e acendeu a chama desse ataque”. A parlamentar foi além: “Nunca houve uma traição maior por parte de um presidente dos Estados Unidos a seu cargo e seu juramento à Constituição”.

Agora, o processo será encaminhado ao Senado. Porém, não deve haver tempo hábil para a Casa decidir antes de Trump deixar o cargo. O democrata Joe Biden tomará posse no próximo dia 20 e o Senado americano está em recesso. Porém, mesmo assim, se os senadores aprovarem o impeachment, Trump ficará inelegível.

Para o presidente ser derrotado definitivamente, precisa se formar maioria de dois terços no Senado. Como a Casa tem hoje 50 republicanos e 50 democratas, seriam necessários 17 votos republicanos para o impeachment ser aprovado.

“A partir do momento do ataque ao Capitólio ficou claro que alguns republicanos pudessem aderir”, diz Reginaldo Nasser, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Porém, para ele, não será fácil os senadores confirmarem o impeachment.

Impeachment no Senado

“Passar no Senado é difícil. Mas até antes da invasão do Capitólio era impossível. Agora não é mais impossível, mas improvável”, acrescenta Nasser. Para ele, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, que condenou Trump por incitar os ataques, “tem dado sinais interessantes” no sentido de que pode vir a votar contra o presidente. “O cenário mesmo assim é difícil. Mas passar na Câmara é mais um carimbo em Trump” , afirma o professor da PUC.

O apoio de Trump à invasão rachou o Partido Republicano. Segundo a Fox News, o poderoso McConnell teria afirmado estar “farto” e “furioso” com Trump. O conflito desencadeado por trumpistas incentivados pelo presidente teve, como consequência, o trágico saldo de cinco mortos, entre os quais quatro civis e um policial, e cerca de 90 prisões.


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