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Venezuela: chapa chavista tem ‘vitória legítima’ no Legislativo, diz analista

Coalizão governista recebeu 3,5 milhões de votos, o que representa 67,6% do total

Martha Raquel / Brasil de Fato
Com 82,35% da votação apurada e um total de 5,2 milhões de votos, cerca de 31% do eleitorado compareceu às urnas

São Paulo – A coligação chavista, por meio do Grande Polo Patriótico, retomou o controle da maioria da Assembleia Nacional da Venezuela neste domingo (6). O resultado foi divulgado pelo Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE). A chapa governista recebeu 3,5 milhões de votos, o que representa 67,6% do total. Já a Aliança Democrática ficou em segundo lugar, com 944 mil votos, equivalente a 17,95%.

Com 82,35% das apurações e um total de 5,2 milhões de votos, cerca de 31% do eleitorado compareceu às urnas. A presidenta do CNE, Indira Alfonzo, declarou que “venceu a paz” e felicitou todos os partidos pela jornada eleitoral.

O presidente Nicolás Maduro também celebrou a vitória da sua chapa. “O povo venezuelano pode dormir tranquilo, temos uma nova Assembleia Nacional”, disse. Dias antes da eleição, o chefe de Estado venezuelano havia declarado que se a oposição ganhasse novamente a maioria do parlamento, ele deixaria o cargo de maneira voluntária.

Abstenção

Com apenas 30% do eleitorado presente, o analista político Amauri Chamorro explica que houve uma campanha no país, oriunda da extrema direita, para uma abstenção total do eleitorado. A partir disso, o objetivo foi deslegitimar o processo eleitoral.

“O voto não é obrigatório, mas o resultado não foi tão ruim, mesmo com as expectativas sendo maiores. A direita venezuelana vai dizer que não foi legítima a votação, mas não dá para dizer isso pela ausência do eleitor. Em São Paulo, dos votos totais, quase 50% não foi para nenhum candidato no segundo turno”, disse Amauri ao Jornal Brasil Atual.

Desde a tentativa de golpe de Juan Guaidó contra Maduro, a direita venezuelana tenta provocar instabilidade política do país, lembra Chamorro. Segundo ele, a tática serve para justificar também as derrotas nas urnas. “O objetivo deles é esse, porque sabem que não ganham uma eleição, então tentam deslegitimar o processo eleitoral e a democracia local. Eles querem uma invasão na Venezuela, tentaram isso com aquele caso das pontes, com mercenários americanos saindo da Colômbia. A alternativa para eles é vencer o bolivarianismo por meio da violência”, criticou.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, já anunciou que o país não reconhecerá a eleição venezuelana. Entretanto, Chamorro lembra que “reconhecer eleições” não é uma característica do governo Trump, que não aceitou ainda a vitória de Joe Biden no pleito presidencial. “Vamos lembrar que os Estados Unidos anunciaram um embaixador fictício na Venezuela, que tomou posse através do Skype. Eles não têm função de reconhecer a eleição de algum país, não são os fiscais do mundo. Ao longo da história, nunca aceitaram um governo que não esteja subordinado a ele”, finalizou.


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