Eleição EUA

Com provocações e ações judiciais, Trump tenta evitar derrota para Biden

Democrata continua com mais possibilidades de chegar à Casa Branca, mas republicano mantém chances e tenta “melar” eleição

CC.0 Wikimedia Commons
“Fiquem calmos, a contagem está sendo completada”, diz Biden. “Pare a contagem”, pede Trump com sua estratégia do caos

São Paulo – Em rápido pronunciamento na tarde desta quinta-feira (5), o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, respondeu às provocações do republicano Donald Trump e pediu paciência aos seus eleitores. “Cada voto  precisa ser contado. A democracia algumas vezes fica um pouco confusa, requer paciência”, disse Biden. “Não temos dúvida de que, quando a contagem terminar, seremos os vencedores. Fiquem calmos, a contagem está sendo completada”, acrescentou.

Horas depois, em discurso de quase 18 minutos, encerrado pouco depois das 21h (horário de Brasília), o atual presidente voltou a expor teorias da conspiração, acusações de fraude, corrupção e “roubo” no processo eleitoral, citando estados como Michigan (onde sofreu a virada) e Georgia, admitindo que pode perder nesse estado. Ele fez todas as insinuações sem apresentar nenhuma prova. Prometeu que os processos na Justiça vão continuar. “Queremos uma contagem honesta, uma eleição honesta”, disse. Vai ter muta briga na Justiça, porque não podemos permitir que uma eleição seja roubada dessa maneira”, acrescentou o republicano.

Antes, Donald Trump enviou aos jornalistas que cobrem a Casa Branca e a eleição nos EUA um e-mail no qual continua sua estratégia de provocação a Joe Biden, procurando semear a confusão e a desinformação . “Se você conta os votos legais, eu ganho a eleição facilmente! Se você contar os votos ilegais e atrasados, eles podem roubar a eleição de nós! ”, escreveu na mensagem, escrita em letras maiúsculas. Pelo Twitter, o atual presidente pede a interrupção da contagem dos votos. “STOP THE COUNT!” (“pare a contagem”), tuitou.

Trump contesta na Justiça a contagem em todos os estados em que tem desvantagem ou pode sofrer uma virada. Em Michigan e Georgia, os juízes negaram pedidos do presidente para interromper a apuração. O republicano pediu a mesma coisa em Nevada. Na Filadélfia, a contagem foi suspensa temporariamente.

Estados decisivos

Biden permanece com mais possibilidades de ser eleito, mas o desfecho da eleição ainda é incerto. Os resultados seguem indefinidos em quatro estados importantes e o número de votos apurados não são claros: Georgia, Pensilvânia, Nevada e Arizona.

Na Georgia (16 delegados), com estimados 98% dos votos apurados. Trump está apenas 0,2% à frente e a diferença segue caindo à medida em que os votos chegam. No início da noite no Brasil, é o republicano que lidera por cerca de apenas 9 mil votos. A Georgia é o estado que está mais perto de definir a eleição, caso Biden consiga a virada.

Na Pensilvânia, maior estado ainda indefinido, que leva 20 delegados ao Colégio Eleitoral, a distância diminui à medida em que a contagem no avança, principalmente com os votos da Filadélfia, reduto democrata.

Em coletiva no início da noite (horário de Brasília), a secretária de Estado da Pensilvânia, Kathy Boockvar, preferiu não informar quantos votos foram totalizados definitivamente. As estimativas são de que, com 90% apurados, pouco depois de 20h, a diferença era de menos de 78 mil votos, 1,2% a favor do republicano. Às 15 horas, Trump tinha 115 mil votos de dianteira. Se vencer na Pensilvânia, Biden chega a 284 votos e estará eleito, independentemente de resultados em qualquer outro estado, inclusive no Arizona.

Em Nevada, Biden lidera e a margem a seu favor aumentou de 8 mil para 11 mil votos nesta quinta. As projeções indicam que ele deve conseguir os seis delegados do estado, o que levaria o democrata ao “número mágico” de 270 votos no Colégio Eleitoral, exatamente a contagem necessária à eleição. Nevada promete mais 51 mil votos para amanhã, mas tem até dia 12 para somar os que foram enviados pelo correio, desde que postados até dia 3.

A Carolina do Norte é considerada ganha por Trump nas projeções e, por isso, não é vista como prioridade pelos analistas. O Alasca, com apenas três delegados, irá

O fator Arizona

A apuração no estado do Arizona se tornou a mais polêmica da eleição. Desde o início da divulgação dos resultados, a agência Associated Press sustenta a vitória de Biden, o que lhe daria hoje 264 delegados no Colégio eleitoral. A Fox News, emissora considerada aliada de Trump, também indica vitória democrata.

Porém, mais cautelosos, The New York Times e CNN não cravam a vitória de Joe Biden sobre Donald Trump no Arizona, que, se ocorrer, será apertada. Por isso, na contagem do jornal nova-iorquino e da emissora de TV, o democrata aparece com 253 votos no Colégio Eleitoral. Como na Pensilvânia, a apuração no Arizona é mais demorada.