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Lula parabeniza povo boliviano, ‘que restabeleceu sua democracia’

“A um ano do golpe, recuperamos o poder político democraticamente”, comemorou o ex-presidente Evo Morales, que foi deposto em 2019

Luis Arce/Reprodução
Após vitória de Arce, Evo disse que é preciso "deixar de lado as diferenças". Lula destacou "desenvolvimento com inclusão e soberania"

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a vitória do candidato do Movimento ao Socialismo (MAS), Luis Arce Catacora, como novo presidente da Bolívia. Pelo Twitter, ele parabenizou o povo boliviano, “que restabeleceu sua democracia” e também congratulou Arce e o ex-presidente Evo Morales, “que depois de um ano difícil podem ver respeitado o voto popular”.

Da Argentina, onde está asilado desde dezembro de 2019, Evo classificou a vitória Arce como um triunfo “histórico, inédito e único no mundo”. “A um ano do golpe, recuperamos o poder político democraticamente, com a consciência e a paciência do povo”, afirmou pelo Twitter.

Ainda no domingo (18), quando os resultados das pesquisas boca de urna indicavam a vitória de Arce no primeiro turno, o ex-presidente convocou as as lideranças do seu país a um grande acordo nacional para tirar o país da crise.

“Devemos deixar de lado as diferenças, os interesses setoriais e regionais para conseguirmos um grande acordo nacional com partidos políticos, empresários, trabalhadores e o Estado. Juntos construiremos um país sem rancores e que nunca recorra à vingança”, disse Evo.

Histórico

Em 2019, o então presidente Evo Morales havia sido reeleito para o cargo, mas renunciou após uma onda de violência que tomou conta do país. As manifestações da oposição foram inflamadas por um relatório da Organização dos Estados Americanos (OEA) que apontou uma suposta fraude na apuração. A hipótese já foi descartada por estudos independentes, mas contribuiu para a anulação do pleito, em novembro.

Nos últimos 12 meses, a Bolívia foi comandada por um governo interino, liderado pela ex-senadora e presidente autodeclarada Jeanine Áñez. Ela descumpriu a promessa de convocar eleições no primeiro semestre e utilizou a covid-19 como justificativa para adiar o pleito três vezes. Representante da direita radical boliviana, Áñez lançou-se como candidata à presidência, mas desistiu em setembro “para não dividir a oposição”.