Entrevista

Os 11 milhões de bolivianos terão vacina gratuita contra a covid, diz Evo Morales

“Os que antes pediam mercado, mercado, mercado, agora dizem Estado, Estado, Estado”, afirmou ex-presidente sobre combate à pandemia

Reprodução/Twitter Evo
“O que estava em jogo em 18 de outubro era voltar ao passado com os privatistas ou continuar ao futuro com os nacionalistas"

São Paulo – O ex-presidente da Bolívia Evo Morales comentou, nesta quarta-feira (21), a importância da juventude no processo eleitoral que levou Luis Arce , do Movimento ao Socialismo (MAS), à vitória na eleição presidencial de 18 de outubro. “Os jovens viram como é viver sob a direita e a ditadura. E refletiram sobre como estivemos com nossa revolução e como estivemos sob o golpe de Estado”, disse. Evo foi deposto por um golpe de Estado em novembro de 2019 que levou a advogada e apresentadora de TV Jeanine Áñez à presidência. Com 89% da apuração oficial concluída (às 15h40 desta quarta-feria, 21), Luis Arce se aproxima de 55% dos votos válidos. “O que estava em jogo em 18 de outubro era voltar ao passado com os privatistas ou continuar ao futuro com os nacionalistas”, afirmou Evo Morales em entrevista a Breno Altman (assista abaixo).

Questionado sobre como o país vai se recuperar da crise econômica agravada pela pandemia de coronavírus, ele respondeu que será com a presença do Estado. O boliviano garantiu que a Bolívia normalizará as relações com China, Cuba, “alguns países europeus” e Rússia. “Os que antes pediam mercado, mercado, mercado, agora dizem Estado, Estado Estado, frente à pandemia.”

Vacina contra covid-19

“Vamos enfrentar a pandemia. Quando tiver a vacina, vamos distribuir a todos os 11 milhões de bolivianos gratuitamente.” Segundo ele, o enfrentamento à pandemia e à crise será feito por meio de um trabalho conjunto entre governo federal, governadores e prefeitos.

No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro não apenas boicota políticas sanitárias, mas vai além. Nesta quarta, ele proibiu que o país compre a vacina chinesa CoronaVac, que teria 46 milhões de doses por meio de negociação com o estado de São Paulo anunciada na véspera pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. “Não abro mão da minha autoridade”, justificou o chefe de Estado do brasileiro.

América do Sul

Sobre os vizinhos na América do Sul, Evo Morales destacou a “profunda diferença de caráter ideológico e programático” entre o MAS e o presidente do Chile, Sebastián Piñera, do Brasil, Jair Bolsonaro, e o ex-presidente argentino Mauricio Macri. Mas foi diplomático. “Se é esquerda ou direita, deveremos trabalhar conjuntamente respeitando nossas diferenças. Os sul-americanos não podemos estar isolados”, disse

Morales reconheceu que pode ter se equivocado como presidente. “Errei, mas sou um ser humano”, disse. “Agora temos experiência em gestão publica, e vamos levar a Bolívia adiante, unida, organizada.” Ele afirmou que o novo governo fará “um pacto de união entre os partidos da direita, empresários e trabalhadores, um grande acordo nacional, para levantarmos a economia”, acrescentando: “O momento é para consolidar nosso processo de mudança, a democracia não termina no dia da eleição”.

Evo está na Argentina desde dezembro de 2019, onde se exilou após o golpe no país. Ele disse que a volta a seu país ainda não tem previsão. Em entrevista à BBC Brasil, o presidente eleito não foi afirmativo sobre eventual participação do ex-presidente no novo governo. “Se Evo Morales quiser nos ajudar, será muito bem-vindo. Mas isso não significa que Morales estará no governo. Será meu governo”, afirmou.

A entrevista de Evo Morales a Breno Altman