Eleições nos EUA

Biden vence primárias de terça e consolida vantagem sobre Sanders

Ex-vice supera senador em Michigan e outros três estados, perde em Dakota do Norte e aguarda Washington

Phil Roeder/Flickr
Gafes públicas de Joe Biden motivam esperança da campanha de Sanders

São Paulo – O ex-vice-presidente Joe Biden venceu as primárias de terça-feira (10) do Partido Democrata em ao menos quatro estados dos seis em disputa, ampliando sua vantagem sobre o senador de Vermont Bernie Sanders. Até o início da manhã desta quarta-feira, as projeções indicavam que Biden teria agora 823 delegados no total, enquanto Sanders contaria com 663. São necessários 1.991 para conquistar a nomeação.

Em Michigan, o estado onde havia mais delegados em jogo (125), ocorreu a vitória mais importante para o ex-vice de Barack Obama. Com 93% da apuração, ele tinha 53% contra 36% de Sanders. Na chamada mini Super Terça, Michigan representava um dos estados do “cinturão da ferrugem”, região caracterizada por áreas de industrialização antiga e determinante para a vitória de Donald Trump em 2016. Agora, um dos argumentos utilizados pela campanha de Sanders, de que o parlamentar seria mais apto para superar o atual presidente nos estados da região, fica abalado.

Na prévia democrata de 2016, o senador bateu Hillary Clinton após as pesquisas da véspera lhe darem até 25% de desvantagem. Neste ano, a história foi diferente. Embora tenha tido vantagem entre os eleitores brancos sem formação universitária, o parlamentar não conseguiu compensar a diferença do apoio a Biden entre os eleitores brancos e negros mais velhos, perdendo também nas áreas suburbanas.

De acordo com o colunista do Guardian nos EUA e professor da Stanley Wade Shelton UGAF, Cas Mudde, essa é praticamente a história das primárias democratas, especialmente depois da Super Terça. Os jovens tuítam bastante, mas são os mais velhos que estão indo mais às urnas, destaca.

Ele cita análises de pesquisas feitas após as pessoas votarem em 12 estados-chave, organizadas pelo pesquisador de Harvard John Della Volpe, apontando que o voto dos jovens (pessoas abaixo de 30 anos) aumentou apenas em uma parcela menor das disputas. Já o comparecimento das pessoas acima de 30 anos nas primárias aumentou em praticamente todos os estados, com grandes aumentos entre pessoas acima de 65 anos, principalmente em estados que seriam chave para Sanders como New Hampshire, Carolina do Norte e Virgínia.

A luta de Sanders

A partir de agora, as esperanças da campanha de Sanders se concentram nas possíveis gafes que têm sido constantes na trajetória recente de Biden. O debate marcado para o próximo domingo pode conferir alento ao senador neste sentido, mas a tarefa até o fim das primárias é inglória: ele teria que vencer mais de 55% dos delegados até o fim das primárias.

Por outro lado, Biden precisará conquistar o apoio dos jovens que hoje estão com Sanders para derrotar o presidente Donald Trump em novembro, caso obtenha a nomeação. Não à toa, na noite de terça-feira, o pré-candidato se dirigiu a eles agradecendo Sanders e seus apoiadores “por sua paixão incansável”. A dúvida é se estes se animarão a sair de casa para votar em novembro após uma campanha em que mais uma vez o establishment do Partido Democrata agiu contra o senador de Vermont.

Além de seus apoiadores, Sanders possui uma enorme lista de arrecadação de fundos, o que um membro do Comitê Nacional Democrata chamou de “a mina de ouro” da campanha, segundo o site Politico.

Na próxima terça-feira (17), quatro estados realizam suas primárias: Flórida, illinois, Ohio e Arizona, com 577 delegados em disputa.