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Franceses nas ruas no 7º dia de mobilização nacional contra reforma da Previdência

Movimento arrefeceu nas últimas semanas, após recuo do governo na idade mínima, mas podem ganhar novo impulso com a formalização da proposta. Greve contra proposta do governo chega ao 51º dia

Twitter/Reprodução
Principal central do país estima até 400 mil pessoas nas ruas contra reforma da Previdência de Macron

São Paulo – Trabalhadores franceses estão nas ruas em Paris nesta sexta-feira (24) para exigir a retirada da proposta de  reforma da Previdência do presidente Emannuel Macron. O 7º dia de mobilização nacional convocado pelas principais centrais sindicais do país – CGT, FO, CFE-CGC, Solidaires, FSU – e movimentos estudantis ocorre no mesmo dia em que Macron apresenta ao Conselho de Ministros o seu projeto de lei que pretende unificar os 42 planos de previdência específicos para diferentes carreiras em um único plano universal, baseado em um sistema de pontos.

Os manifestantes, que começaram a se concentrar por volta das 11h (7h em Brasília) na Praça da República, caminham pelas ruas do centro da capital francesa até a Praça da Concórdia. Os protestos desta sexta-feira (24) também marcam o 51º dia de greve que ainda paralisa parte do sistema de transportes em todo o país. Segundo a CGT, entre 350 mil e 400.00 mil manifestantes ocupam as ruas de Paris.

No setor portuário, a operação “três dias de portos mortos” vai até o fim desta sexta. Também há previsão de atrasos e cancelamentos em aeroportos pelo país.  Nesta quinta-feira (23), manifestações foram registradas em cerca de 150 cidades pelo país.

O movimento paredista arrefeceu nas últimas duas semanas, após o governo recuar, anunciando a suspensão provisória do aumento da idade mínima de 62 para 64 anos para se ter acesso à aposentadoria integral. Ainda assim, setores do movimento sindical querem a retirada completa da proposta.

Na última quarta-feira, trabalhadores vinculados à CGT chegaram a paralisar o funcionamento da hidrelétrica Grand’Maison, próximo a Vaujany, nos alpes franceses, obrigando o governo francês a importar energia para suprir a demanda interna em meio a uma onda de frio intenso. Para 61% dos franceses, Macron deveria suspender a reforma, segundo pesquisa do instituto Elabe, publicada na última terça-feira (21).

Apesar do arrefecimento no movimento grevista, a situação política é tensa por conta da proposta de reforma da Previdência. Os trabalhadores esperam que as mobilizações ganhem novo impulso após a formalização da proposta pelo governo. Nesta semana, dois ministros – Gérald Darmanian (Contas Públicas) e Bruno Le Maire (Economia) – receberam cartas com ameaças de morte. As correspondências, enviadas por desconhecidos, tinham cartuchos de bala nos envelopes e bilhetes com a seguinte advertência: “Ou você convence Macron que já chega, que ele deve retirar sua reforma, ou será o massacre”, segundo informações do portal da Rádio França Internaciona (RFI). O Ministério Público abriu uma investigação para identificar os autores das ameaças.