Interesses ocultos

EUA não mostram evidências para justificar ataque. ‘Já começaram a guerra’, diz Irã

Governo brasileiro manifesta apoio a alegação americana “de combate ao terrorismo”. Mídia dos EUA revela planos de assassinato de general. ONU pede “contenção”

Bloomberg/Reprodução
Trump buscou justificativas pra planejar ataque e foi ao clube de golfe enquanto EUA matavam Qassem Soleimani

São Paulo – Depois de um dia de silêncio em torno do assassinato do general iraniano Qassem Soleimani por ordem de Donald Trump, o presidente Jair Bolosnaro afirmou que o governo brasileiro não se manifestaria a respeito do ato. Em tom de desfaçatez, Bolsonaro disse que não se posicionaria sobre o caso porque o país não possui poder bélico. “Eu não tenho o poderio bélico que o americano tem para opinar neste momento. Se tivesse, eu opinaria.”

Horas depois, no entanto, o Ministério das Relações Exteriores emitiu nota em que manifesta indiretamente apoio à ação do governo norte-americano a pretexto de combater “o flagelo do terrorismo”.

“Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo”, diz o comunicado do Itamaraty.

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Terrorismo dos EUA

O suposto combate ao terrorismo tem sido a mentira internacional na qual o governo dos Estados Unidos se escora para justificar suas operações militares e os interesses geopolíticos e econômicos ocultos por trás delas. Segundo o governo do Irã, Trump é quem pratica terrorismo ao violar acordos internacionais, invadir espaços territoriais e executar ações de guerra sem declarar guerra.

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Javad Zarif, classificou como “terrorismo internacional” a ação ordenada por Trump. “O ato de terrorismo internacional dos Estado Unidos, selecionando e assassinando o general Soleimani – a força mais eficaz no combate ao Daesh (Isis, o Estado Islâmico), Al Nusrah, Al Qaeda e outros – é extremamente perigoso e uma escalada insensata. Os EUA são responsáveis ​​por todas as consequências do seu aventureiro criminoso.”

Ao argumento de Trump de que a operação no Iraque teria o objetivo de evitar uma guerra, autoridades iranianas responderam que se os Estados Unidos tivessem de fato alguma indicação de que haveria um plano de ataque por parte do Irã, deveriam mostrá-la. “Eles devem fornecer a evidência”, disse o embaixador iraniano na Organização das Nações Unidas, Majid Takht Ravanchi.

“Os Estado Unidos já começaram uma guerra, não apenas em termos econômicos, mas em algo a mais matando um de nossos generais mais importantes, cuja perda é lamentada não apenas pelos iranianos, mas também por outros povos da região. Portanto, não podemos simplesmente fechar os olhos para o que aconteceu: definitivamente haverá uma vingança dura”, disse Ravanchi.

ONU em alerta

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou ontem – dia em que foram registrados mais dois ataques que mataram pelo menos oito pessoas, entre elas comandantes iranianos e iraquianos – que o mundo não pode permitir outra guerra no Golfo. “Este é um momento em que os líderes devem exercitar o máximo de contenção. O mundo não pode permitir outra guerra no Golfo”, afirmou Guterres em nota.

O planejamento do ataque que assassinou o general Qassem Soleimani foi revelado ontem pela agência Bloomberg, que teria ouvido fontes oficiais da Casa Branca. Segundo publicou a mídia, a decisão de Trump seguiu-se ao ataque contra uma base americana no Iraque, no último dia 27, que ocasionou a morte de um cidadão americano.

Trump teria ordenado então seu estafe a planejar o ataque contra o general iraniano. Na realidade, seria um pretexto para executar um antigo objetivo de eliminar Soleimani, que passou a ser monitorado por órgãos de inteligência. O governo americano decidiu não perder a chance de ataque ao identificar a chegada do militar no aeroporto de Bagdá. Enquanto a ação  ocorria, Trump permanecia em seu clube golfe na Flórida.


Com agências internacionais