Extensão da tragédia

Conflito entre Estados Unidos e Irã ameaça ajuda a refugiados

"Dezenas de milhões de pessoas em todo o Oriente Médio precisam de assistência humanitária. A maioria delas já está devastada ou deslocada pelo conflito", disse o chefe do Conselho Norueguês para Refugiados, Jan Egeland

OCHA/Philippe Kropf
Abrigos para deslocados em Khamer, na província de Amran

São Paulo – A escalada de tensão no Oriente Médio após o ataque dos Estados Unidos, que matou o general iraniano Qassem Soleimani, teve um novo episódio na noite desta terça-feira (7), quando os iranianos responderam atacando bases com tropas norte-americanas no Iraque.

Em comunicado emitido por seu porta-voz, o primeiro-ministro iraquiano Adel Abdul Mahdi afirmou que o governo local recebeu uma mensagem verbal do vizinho Irã informando que a retaliação à morte de Soleimani era iminente ou já estava em andamento.  Teerã disse a Abdul Mahdi que teria como alvo somente locais onde as forças dos EUA estavam presentes, mas não especificou quais seriam.

Abdul Mahdi exortou todos os lados a praticar o autocontrole e aderirem a acordos internacionais, acrescentando que o Iraque rejeita qualquer violação de sua soberania e ataques ao solo.

Além de já afetar o Iraque, o iminente conflito entre os EUA e o Irã pode trazer outras consequências imediatas para a região. A entrega de ajuda a milhões de refugiados em todo o Oriente Médio está em risco, alertou o Conselho Norueguês para Refugiados.

“Dezenas de milhões de pessoas em todo o Oriente Médio precisam de assistência humanitária. A maioria delas já está devastada ou deslocada pelo conflito”, disse o chefe da entidade, Jan Egeland, em comunicado. “Outro confronto entre potências internacionais e regionais seria mortal para as linhas de ajuda humanitária à beira do colapso”, afirmou.

Egeland lembra que na região há 24 milhões de iemenitas afetados pela guerra civil no país, além de 12 milhões de sírios deslocados, segmentos “extremamente vulneráveis ​​a qualquer escalada de conflitos, sanções ou restrições de movimento”, avalia.

Com informações da Al Jazeera