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Governo de esquerda vai enfrentar oposição feroz da direita na busca pela recuperação da Espanha

"Vai ter que se lidar com a questão social, com a questão do emprego e com a pressão da direita e do núcleo empresarial por uma nova reforma da Previdência", analisa o professor de Relações Internacionais da UFABC Gilberto Maringoni

sergio perez/abr
Para um governo efetivo e estável, Psoe terá de ser habilidoso para evitar a dissolução da chapa

São Paulo – O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) Gilberto Maringoni, comentou na Rádio Brasil Atual, em entrevista para o jornalista Glauco Faria, a nova composição do governo espanhol, formado por uma coalizão de esquerda. Pela primeira vez, houve uma união entre o Psoe e o Podemos. Pedro Sánchez (Psoe) assume como primeiro-ministro e Pablo Iglesias (Podemos) como vice.

A Espanha viveu durante o último período um grande impasse político. Sem a efetivação da coalizão de esquerda, os partidos não conseguiam formar maioria para indicar o chefe de governo. “A Espanha realizou eleições em abril do ano passado e consegue formar governo nove meses depois. Um governo de maioria muito estreita, foram 167 votos contra 165 votos da direita. Qualquer votação pode colocar em risco a estabilidade”, explicou o professor.

Antes de Sánchez, a Espanha passou por um período crítico com péssimos resultados econômicos e instabilidade social, o que levou ao fim um governo de direita, comandado por Mariano Rajoy (PP). “A direita saiu de cena parcialmente por um desgaste muito grande do governo Rajoy. O Podemos e outros partidos menores fecharam com o governo de Sánchez, mas ainda têm pedras no sapato”, disse o professor, ao lembrar, por exemplo, da questão separatista da Catalunha.

Outros problemas internos ainda devem aparecer como desafios do novo governo. “A Espanha está com sua economia em desaceleração. O país deve crescer 2,18%. É algo que está na média baixa europeia. É uma situação tensa, foram retirados diversos direitos trabalhistas na reforma de 2012 promovida pelo governo de direita do PP. Vai ter que se lidar com a questão social, com a questão do emprego e com a pressão da direita e do núcleo empresarial por uma nova reforma da Previdência”, completou.

Assista à entrevista completa de Maringoni para o Jornal Brasil Atual: