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Em novo recuo, Bolsonaro manda Mourão representar o Brasil na posse do novo presidente da Argentina

É a primeira vez desde a redemocratização que um presidente brasileiro não prestigia a posse de um presidente argentino eleito pelo voto popular

Reprodução/Alberto Fernández
Fernández e Cristina são esperados na início da noite na festa popular que ocorrerá na Praça Rosada

São Paulo – Depois de diversas idas e vindas, o vice-presidente Hamilton Mourão vai representar o Brasil nesta terça-feira (10) na cerimônia de posse de Alberto Fernández como novo presidente da Argentina. É a primeira vez desde a redemocratização que um presidente brasileiro não prestigia a posse de um presidente argentino eleito pelo voto popular. De última hora, Mourão disse que atendeu pedido de Bolsonaro e que sua ida representa “um gesto” para normalizar as relações entre os dois países.

Durante a campanha eleitoral argentina, Bolsonaro se manifestou a favor do candidato a reeleição Maurício Macri, e disse que eventual vitória de Fernández e da sua vice, a ex-presidenta Cristina Kirchner, transformaria o país vizinho “em uma nova Venezuela”. Fernández visitou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em julho, em Curitiba, quando o brasileiro era mantido como preso político da Lava Jato. Ele também fez menção a Lula quando venceu a disputa presidencial no primeiro turno, em outubro, o que irritou ainda mais o mandatário brasileiro.

De início, Bolsonaro, que sempre deixou claro que não iria à cerimônia, havia decidido enviar o ministro da Cidadania, Osmar Terra, para acompanhar a posse de Fernández. Contrariado com a visita do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e uma comitiva de parlamentares ao novo presidente Argentino, ele cancelou a ida do ministro, e disse que não enviaria ninguém à cerimônia de posse. Nesta segunda (9), em novo recuo, o governo chegou a anunciar que embaixador do Brasil em Buenos Aires, Sergio Daneses, representaria oficialmente o país. Mais tarde, no mesmo dia, Mourão confirmou a sua ida.

A cerimônia

A transição de governo na Argentina começa às 11h desta terça (10), com a posse dos deputados e senadores eleitos, em cerimônia ainda presidida pela atual vice-presidenta e presidenta do Senado, Gabriela Michetti. Ao final, ela dará posse a Cristina que, assim como a sua antecessora, comandará também a Casa Legislativa. Na sequência, Macri fará seu discurso de conclusão do mandato, e deverá entregar a Cristina os “atributos presidenciais” – a faixa e um cetro –, que então serão entregues a Fernández, que assume como novo presidente, quando fará o seu primeiro discurso oficial dirigido ao Congresso Nacional argentino.

Após um almoço oficial (marcado para às 13h), os ministros do novo governo tomam posse na Casa Rosada, sede da presidência argentina. Na sequência, a partir das 14h, terá início a comemoração popular, num palco montado na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, com apresentações teatrais e shows musicais, que deverão ocorrer até o início da noite. Neste mesmo palco, por volta das 19h, Fernández e Cristina falarão ao público. A pedido do novo presidente, grades que cercavam a praça e “protegiam” a Casa Rosada foram retiradas, num gesto do novo presidente que sinaliza “acabar com as divisões e unir a Argentina”.

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