Perseguição

Presidente do Equador manda prender governadora da oposição

Para Gilberto Maringoni, a prisão da governadora da província de Pichincha é uma ofensiva de cunho político do governo de Lenín Moreno, após o recuo diante das manifestações

Reprodução/Twitter
'Ser oposição em uma democracia não pode ser um delito', afirmou a governadora Paola Pabón

São Paulo – A polícia nacional equatoriana prendeu, na manhã desta segunda-feira (14), a governadora da província de Pichincha, Paola Pabón. Ela teve a sua residência invadida ainda durante a madrugada, sob a acusação de ter ordenado o bloqueio de rodovias durante a jornada de manifestações dos últimos dias contra o decreto assinado pelo presidente Lenín Moreno que atendia às determinações do FMI. O decreto foi revogado no último domingo (13), após negociação com lideranças indígenas que comandaram os protestos.

A ação policial contra a governadora de Pichincha foi filmada por uma assessora e transmitida pelas redes sociais. Advogada e professora de Políticas Públicas, ela é uma das lideranças da chamada Revolução Cidadã, grupo político liderado pelo ex-presidente Rafael Correa, que faz oposição atual governo. “Que esse país saiba, que o mundo saiba que esse é o governo de Moreno: a perseguição política, a repressão”, protestou Paola.

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC Gilberto Maringoni, após o recuo com a revogação do decreto, a prisão de Paola é uma “ação cirúrgica” para intimidar lideranças políticas numa tentativa de retomar o controle do país, sob o temor da ocorrência de novas manifestações.  Em entrevista aos jornalistas Marilu Cabañas e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, Maringoni destaca que a mistura de questões étnicas e sociais, já que o Equador tem importante contingente da população de origem indígena, a maior parte vivendo na pobreza, transforma o país num “caldeirão de tensões”.

O mosaicista equatoriano Javier Guerrero Mesa, que vive no Brasil há 30 anos, destaca que, apesar da participação de políticos da Revolução Cidadã nas manifestações contra Moreno, estas foram protagonizadas pelas populações indígenas, que agora temem também eventuais prisões de suas lideranças. “Eles não percebem é que o movimento indígena tem uma capacidade de resistência de mais de 300 anos, desde a época da colonização espanhola. Estão em estado de alerta, com todos os movimentos sociais, prontos para o embate.” Ele também acredita que a revogação do decreto 883 – que dentre outras medidas determinava o fim dos subsídios aos combustíveis – é apenas um tentativa de recuperar o fôlego para retomar a ofensiva em favor das medidas de arrocho econômico.

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