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Como Mandela e Raoni, Lula recebe título de Cidadão de Paris

Iniciativa foi da prefeita da capital francesa, que destaca compromisso de ex-presidente com a redução das desigualdades no Brasil. No mesmo dia, livro que traz entrevista com ex-presidente é indicado ao prêmio Jabuti
Publicado por Cláudia Motta, para a RBA
16:57
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Lula; Shirin Ebadi; Taslima Nasrin; Nelson Mandela. Somente outras 17 pessoas receberam o reconhecimento como o ex-presidente brasileiro pela atuação em defesa dos direitos humanos e da justiça social

São Paulo – O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi agraciado com o título de Cidadão de Honra da cidade de Paris. A votação ocorreu na tarde desta quinta-feira (3). O Conseil de Paris, espécie de Câmara dos Vereadores da capital francesa, afirma que a luta de Lula pelos direitos humanos, a justiça social, a proteção do meio ambiente, são “valores guardados pela cidade de Paris e que colocaram o político em perigo pelo seu engajamento”.

E considera que, diante do que ocorre com o ex-presidente “todos os defensores da democracia no Brasil são atacados”. Assim, “pela luta constante da cidade de Paris pelos direitos humanos, expressa seu desejo em conceder a homenagem”.

“Trata de uma honraria muito importante, só atribuída 17 vezes desde sua instauração em 2001, a personalidades presas ou em perigo por suas opiniões políticas”, afirma a historiadora francesa Maud Chirio. O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, a médica indiana Taslima Nasreen e a advogada iraniana Shirin Ebadi são algumas das personalidades que obtiveram a proteção da cidade de Paris e o reconhecimento como perseguidos políticos que não se beneficiaram de um processo justo. “É um símbolo forte para a democracia no Brasil”, define Maud.

O líder indígena da região do Xingu, Cacique Raoni, é o único outro brasileiro já premiado com essa homenagem, em 2011. Raoni foi atacado pelo presidente Jair Bolsonaro em seu discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro.

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A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que preside o conselho da cidade, ao lado da brasileira Dulce Lessa e sua filha Louise Le Meur, durante o Festival L’Humanité, no mês passado. Evento é realizado há 80 anos pelo Partido Comunista Francês na capital parisiense. Nesta edição, realizou um Ato em Defesa do Brasil, com a participação da ex-presidenta Dilma Rousseff como convidada de honra.

Política proativa

A iniciativa foi da prefeita de Paris, a socialista Anne Hidalgo, que em comunicado ressaltou o compromisso de Lula com a redução das desigualdades sociais e econômicas no Brasil permitiu que quase 30 milhões de brasileiros saíssem da extrema pobreza e acessassem direitos e serviços essenciais. “Lula se destacou por uma política proativa de combate às discriminações raciais especialmente marcadas no Brasil”, acrescentou a prefeita, dizendo que “por meio de seu compromisso político, todos os defensores da democracia no Brasil são atacados”.

“O Comitê dos Direitos Humanos da ONU pediu às autoridades brasileiras que assegurassem os direitos civis e políticos de Lula, principalmente o de ser candidato. Mas ele teve esse direito negado, apesar de chefes de Estado europeus, de parlamentares franceses e de juristas internacionais denunciarem a inconsistência das provas apresentadas pela acusação”, diz o texto da prefeitura.

A agência de notícias AFP lembra que Lula, que completará 74 anos em 27 de outubro, governou o Brasil de 2003 a 2010 e cumpre condenação a oito anos e 10 meses de prisão desde abril de 2018. Condenado por uma investigação da Operação Lava Jato atualmente questionada, Lula continua reivindicando sua inocência.

O noticioso francês reforça que o ex-presidente de esquerda sempre afirmou ser vítima de uma conspiração política que tinha por objetivo impedi-lo de voltar ao poder quando era o favorito na eleição presidencial de outubro de 2018, que resultou na vitória do candidato de extrema-direita Jair Bolsonaro.


Vereador Patrick Klugman defende o título a Lula


Prêmio Jabuti

O livro A Verdade Vencerá está concorrendo à 61ª edição do prêmio Jabuti. A lista traz os 10 livros indicados para cada uma das 19 categorias da principal premiação da literatura brasileira. Trata-se de uma longa entrevista, de mais de 100 páginas, concedida pelo ex-presidente à editora da Boitempo, Ivana Jinkins, e aos jornalistas Gilberto Maringoni, Maria Ines Nassif e Juca Kfouri.

Lançado no Brasil em março de 2018, A Verdade Vencerá resume mais de três horas de conversa com o ex-presidente, na qual nenhum tema foi proibido. Realizada em fevereiro do ano passado, no Instituto Lula, a entrevista apresenta uma análise contundente de Lula sobre o cenário político dos últimos anos.

A Verdade Vencerá concorre na categoria Inovação – Livro Brasileiro Publicado no Exterior. Se vencer, Lula será o primeiro ex-presidente brasileiro a levar a premiação.