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Chanceler rebate ataques de Bolsonaro contra Cuba em discurso na ONU: ‘Delírio’

Em discurso na ONU, presidente atacou a comunidade internacional. Em especial, Cuba. Para o extremista, médicos da ilha seriam "escravos" e ao mesmo tempo "agentes do socialismo"
Publicado por Gabriel Valery, da RBA
11:31
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ALAN SANTOS/PRESIDÊNCIA PLANALTO

Em seu discurso, Bolsonaro trabalhou o tempo todo com a construção de inimigos, como a imprensa internacional, ativistas, indígenas e, em especial, "os socialistas"

São Paulo – O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, rechaçou “energicamente” os ataques do presidente brasileiro Jair Bolsonaro ao seu país, em discurso na abertura da 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), na manhã desta terça-feira (24), em Nova York. Em aceno à extrema-direita, Bolsonaro adotou um discurso antigo, da época da Guerra Fria (1945-1991), trabalhou o tempo todo com a construção de inimigos, como a imprensa internacional, ativistas, indígenas e, em especial, “os socialistas”, com Cuba entre seus principais alvos.

“Delira e anseia aos tempos da ditadura militar”, disse o ministro cubano. O presidente brasileiro atacou, especialmente, a política de solidariedade internacional cubana. A ilha caribenha possui uma medicina de qualidade reconhecida pelo mundo. Em razão disso, exporta muitos profissionais para muitos países (mais de 60). Na narrativa de Bolsonaro, esses médicos seriam algo como “agentes infiltrados” de um “socialismo”.

Na verdade, os médicos cubanos que estiveram no Brasil para o programa Mais Médicos atuaram em regiões de difícil acesso, especialmente com medicina básica e preventiva, nestes locais aonde profissionais brasileiros rejeitavam ir. Parrilla mostrou incredulidade sobre a ideia do político de extrema-direita. “Rechaço energicamente as calúnias de Bolsonaro sobre Cuba e sua cooperação médica internacional (…) Deveria se ocupar da corrupção em seu sistema de Justiça, governo e família. É o líder do aumento da desigualdade no Brasil”, completou.

Escravos da inteligência

Em seu discurso, Bolsonaro entrou em certa contradição sobre esse tema. Por um lado, acusou os médicos cubanos de influenciarem na política de outros países, em especial da Venezuela, onde os “agentes cubanos controlam em todos os âmbitos a sociedade”, conforme declarou. Por outro, afirmou que os profissionais seriam “escravos”. “Em 2013, um acordo entre o governo petista e a ditadura cubana trouxe ao Brasil 10 mil médicos sem nenhuma comprovação profissional (…) Um verdadeiro trabalho escravo, acreditem.”

Os ataques de Bolsonaro não pouparam sequer a casa que o recebeu. O suposto trabalho escravo seria “respaldado por entidades de direitos humanos do Brasil e da ONU”.

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