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REPERCUSSÃO

‘The Economist’ afirma que incêndios na Amazônia podem ‘queimar’ Bolsonaro

Publicação inglesa analisa crise em torno da Amazônia, critica os preconceitos de Bolsonaro e a postura de Macron e defende mais sutileza nas conversações
Publicado por Helder Lima, da RBA
09:51
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The Economist sobre Bolsonaro: "No cargo, seu governo destruiu o ministério do meio ambiente e o Ibama, a agência ambiental quase autônoma"

São Paulo – Apesar do presidente Jair Bolsonaro ter inspiração ultraliberal, a revista The Economist, publicação inglesa que é referência para o pensamento liberal e anti-estatal, não poupou palavras ao publicar artigo sobre a reputação do presidente Jair Bolsonaro e os efeitos que sua imagem está sofrendo com a crise em torno das queimadas na Amazônia. “Os incêndios da Amazônia podem queimar Bolsonaro”, diz o título.

O texto critica Bolsonaro e também o presidente francês, Emmanuel Macron. Ambos protagonizaram uma troca de farpas nos últimos dias. Macron classificou Bolsonaro de mentiroso, e este acusou o francês de colonialista e ainda zombou da aparência de sua mulher. No ápice da crise, Bolsonaro recusou oferta de US$ 22 milhões dos países do G7 para ajudar a combater os incêndios na região.

“As políticas de Bolsonaro são profundamente destrutivas para a floresta amazônica, e dissuadi-lo exigirá muito mais sutileza no exterior e mais determinação dos adversários e até dos aliados em casa”, diz a revista.

A revista recupera a história da eleição de Bolsonaro em 2018 e diz que sua ascensão “varreu a esquerda e a regulamentação verde”. Relembra ainda as promessas do líder de extrema direita de acabar com as multas por irregularidades ambientais, reduzir as áreas de floresta protegidas e combater as ONGs.

“No cargo, seu governo destruiu o ministério do meio ambiente e o Ibama, a agência ambiental quase autônoma. Seis dos dez cargos seniores no departamento de florestas e desenvolvimento sustentável do ministério estão vazios, de acordo com seu próprio site”, afirma a revista.

O artigo também passa pelo episódio da demissão do diretor do Inpe, que Bolsonaro chamou de mentiroso, depois que foram divulgados dados dando conta de que o desmatamento aumentou 67% nos primeiros sete meses do ano em relação ao mesmo período do ano passado.

A revista também menciona um professor da Fundação Getúlio Vargas, que destaca que Bolsonaro acredita que a pauta ambientalista é de esquerda. E justifica a sua tese de elevar a qualidade do diálogo em torno da crise. “Por trás de seus protestos contra Macron está a expectativa de que os brasileiros se unam à bandeira. É por isso que o mundo precisa pisar com cuidado”, afirma a revista sobre a atuação de Bolsonaro.

Confira o artigo da The Economist.