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Venezuela rompe relações com os Estados Unidos. Rússia reitera apoio a Maduro

Após um dia de protestos, diversos países, entre os quais Brasil e Estados Unidos, reconheceram opositor Juan Guaidó como presidente interino. Maduro afirma ter apoio, além da Rússia, de Turquia e México

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Maduro discursou do Palácio de Miraflores. ‘Povo me elegeu e me reelegeu democraticamente’

São Paulo – Após um dia de grandes protestos contra o presidente eleito da Venezuela, Nicolás Maduro, diversos países reconheceram seu opositor Juan Guaidó como presidente interino do país. Entre eles, Brasil, Canadá, Argentina e Estados Unidos. Prontamente, Maduro discursou do Palácio de Miraflores na tarde desta quarta-feira (23) e anunciou a ruptura de relações diplomáticas com os norte-americanos.

Em oposição aos países que reconheceram Guaidó, outros reiteraram apoio a Maduro. Entre eles, a Rússia, a Turquia e o México. O presidente disse que recebeu uma ligação de apoio do chefe de Estado da Turquia, Tayyp Recip Erdogan, a quem agradeceu. 

Guaidó é presidente da Assembleia Nacional, o parlamento local, controlado por opositores. Nas eleições de maio de 2018, que reconduziram Maduro ao poder, a direita e extrema-direita boicotaram o pleito. A mais alta corte do país condenou as ações da Assembleia, que chegou a decretar anistia a militares que se rebelassem contra Maduro. A ação foi anulada pelo tribunal superior.

Em sua fala, Maduro reiterou que passa por uma tentativa de golpe orquestrado por forças norte-americanas. “O povo me elegeu e me reelegeu democraticamente e constitucionalmente em maio de 2018. Ganhamos com o voto do povo. Tudo que somos se deve ao esforço e à luta. Se deve à vida democrática. Dizem que sou ditador e digo que não me formei na escola dos imperialistas ditadores da América Latina e Caribe. Me formei nas assembleias sindicais de trabalhadores, na Constituinte, com o grande mestre da democracia venezuelana, Hugo Chávez”, disse.

Maduro insistiu que as investidas contra seu governo serão derrotadas, e pediu apoio dos seus pares na política local. “Os que me acusam de ser um ditador querem impor um ditador. Mas vamos prevalecer. Como disse o grande libertador Simón Bolivar: ‘Façam o que façam, vai prevalecer a vontade do povo por cima de qualquer vontade golpista’. Temos que nos preparar cada vez mais. Temos que fortalecer os governos eleitos dos estados. Temos 19 governadores e governadoras dos 23 estados.”

“Temos legitimamente 307 de 335 prefeitos do país, quase 90%. Peço que governem das ruas e resolvam os problemas do nosso povo. Peço aos poderes do Estado, ao Judiciário, o fortalecimento da institucionalidade. Vamos fortalecer nosso país neste momento especial de nossa história. Peço aos militares máxima lealdade, máxima união e máxima disciplina. Vamos triunfar. Leais sempre, traidores nunca. Vamos fortalecer a união civil e militar para seguir avançando na revolução”, completou.

Outro assunto que passou por seu discurso foi a postura do presidente do Equador, Lenin Moreno, que atribuiu uma onda de violência em seu país a imigrantes venezuelanos. Maduro chamou o presidente de “traidor, nazifascista e xenófobo”, e anunciou a retirada de todos cidadãos venezuelanos daquele país.

“Vamos tirar todos os venezuelanos do Equador. Não podemos permitir nenhum ataque xenofóbico. Aqui não vamos atacar nenhum peruano, equatoriano. O povo não tem culpa de ter presidentes nefastos como Lenin Moreno, um nazifascista traidor. A todos os que vivem na Venezuela, deixamos o abraço e que vamos nos unir. Vamos empunhar a bandeira da união latino-americana e caribenha”, disse.

Por fim, Maduro fez um apelo para fazer frente às forças populares que tentam derrubá-lo. “A partir de hoje vamos estar mobilizados permanentemente. O povo estará com uma mão trabalhando e com outra marchando, lutando e defendendo a paz”, disse.