Crise

Governo mostra desarticulação sobre futura atuação do Brasil na Venezuela

Em Davos, Bolsonaro admite temer processo de transição não pacífico entre Maduro e Guaidó, enquanto seu vice, Mourão, descarta possibilidade de intervenção do Brasil

Valter Campanato/EBC
Bolsonaro e Mourão

Para Emir Sader mesmo com apoio de Bolsonaro não seria viável uma intervenção externa na Venezuela

São Paulo – O governo brasileiro parece contrastar sobre a posição que o Brasil deverá adotar em relação à situação política da Venezuela, que nesta quarta-feira (23) teve autodeclarado como presidente interino Juan Guaidó, opositor do presidente eleito Nicolás Maduro. Apesar de o  presidente Jair Bolsonaro (PSL) ter declarado reconhecer e dar apoio a Guaidó, o chefe do Executivo e o seu vice, Hamilton Mourão, não aparentam estar alinhados quanto à futura atuação brasileira.

Em entrevista à Rede Record, Bolsonaro afirmou prestar “muita atenção” à situação política da Venezuela e admitiu temer um “processo de transição não pacífico” entre Maduro e Guaidó. Enquanto que à imprensa, Mourão disse que o Brasil não participaria de uma intervenção militar caso o governo de Maduro reafirme sua continuidade. “Brasil só poderá protestar”, afirmou o general.

Na prática, para o cientista político e sociólogo Emir Sader, em entrevista ao jornalista Glauco Faria, da Rádio Brasil Atual, uma intervenção militar externa na Venezuela “não é viável pelo clima latino-americano e também pelo apoio que a Rússia dá ao governo do Maduro”.

Na análise do cientista político, a partir do apoio dos Estados Unidos, o que se tentará contra o mandato de Maduro é a quebra do apoio interno ao ex-presidente, que tem como base principalmente as Forças Armadas.

Ouça a análise na íntegra: