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Sob forte manifestação e greve, governo Macri tenta votar reformas

Milhares de trabalhadores ocupam novamente as ruas de Buenos Aires contra as reformas de Maurício Macri. Repressão policial é questionada pela oposição na Câmara, que pede suspensão da votação
por Redação RBA publicado 18/12/2017 17h56, última modificação 18/12/2017 18h49
Milhares de trabalhadores ocupam novamente as ruas de Buenos Aires contra as reformas de Maurício Macri. Repressão policial é questionada pela oposição na Câmara, que pede suspensão da votação
izquierda diário/reprodução
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Mais de 100 mil argentinos estão nas ruas contra reformas neoliberais

São Paulo – A base do governo neoliberal de Mauricio Macri na Câmara dos Deputados da Argentina conseguiu quórum para retomar a votação de reformas impopulares no país. Em resposta, milhares de trabalhadores e aposentados tomaram as ruas de Buenos Aires para rechaçar a medida que pode prejudicar reajustes em aposentadorias, pensões e outros benefícios de mais de 17 milhões de pessoas. O cenário na Avenida de Mayo – que liga a Casa Rosada (sede da Presidência) ao Congresso – é de guerra.

Os manifestantes estão em confronto com as forças militares desde o início da manhã. De acordo com informações preliminares, são mais de 40 detidos, além de diversos feridos, entre eles, profissionais da imprensa. Estranhamente, a mídia corporativa brasileira ignora os fatos no país vizinho.

Além da grande mobilização, com mais de 100 mil pessoas, as principais centrais sindicais argentinas, a Central Autônoma dos Trabalhadores (CTA) e a Central Geral dos Trabalhadores (CGT), iniciaram movimento grevista em todo o país desde as 12h de hoje (18). A investida, de 24 horas de paralisações, já afeta o setor aéreo do país. O metrô segue funcionando até as 18h. Trens e ônibus encerram atividades à 0h.

A sessão atingiu quórum por volta das 14h, mas o embate é acirrado. A oposição afirma que as reformas não foram apresentadas na campanha de Macri, portanto, não possuem legitimidade. Existe um movimento que pede que as medidas passem por referendos populares. “Defendemos a discussão do tema com a sociedade. Pretendem passar o projeto com o Congresso sitiado? Se é tão bom o projeto, por que tanta repressão? Defendemos a consulta popular”, disse a deputada Romina Del Plá, da Frente de Izquierda y de los Trabajadores.

A oposição critica amplamente a repressão às manifestações. Na última quinta-feira (14), milhares de argentinos também tomaram as ruas para denunciar uma manobra do governo macrista. Seu partido, o Cambiemos, utilizou de aparato militar para uma reunião de cúpula da Organização Mundial do Comércio (OMC), a fim de acelerar o processo de votação das reformas. O resultado foi mais repressão, com mil membros das forças armadas locais.

“Não é normal que o Congresso tenha medo do povo. Não é normal a repressão. Isso não é bom para o funcionamento desta Casa. Não é normal para o exercício da democracia. Não é normal tantos feridos vítimas de repressão. Vocês vão ter que sair como ratos do Congresso por traição ao povo argentino”, disse o deputado Darío Martínez, da Frente para la Victoria (FPV).

Em uma tentativa de pressionar a aprovação das medidas, a base do governo Macri convocou às pressas governadores de diferentes províncias para o Congresso. “Chegaram ao ponto de convocar governadores para tentar aprovar uma lei antipopular que atenta contra 17 milhões de argentinos. É lamentável também a repressão novamente contra o povo argentino. Em que país estamos?”, disse o deputado Juan Manuel Huss, da FPV.

O projeto macrista é chamado de Reforma Previsional e altera a forma do cálculo de benefícios do governo tais como aposentadoria, pensões e programas sociais. Uma das políticas que pode ser afetada é a Asignación Universal por Hijo (AUH), análogo ao Bolsa Família no Brasil, que paga uma pensão por filho para famílias com pais desempregados, ou no mercado informal, que vivem com menos de um salário mínimo por mês. 

Suspensão

Na sessão da última semana, o clima de tensão se refletiu na Câmara. Além da violência nas ruas, deputados se desentenderam e chegaram a trocar empurra-empurra. Tais embates levaram a sessão a ser suspensa. Hoje, a oposição tentou por diferentes momentos levantar a discussão. Motivos, em especial, a repressão policial.

A base do governo acusa a oposição de usar de violência nas manifestações. Em resposta, o deputado Horacio Pietragalla Corti, da FPV, disse que “em nenhum momento vamos aceitar que nos chamem de violentos. Violentos são os governos neoliberais que sumiram com 30 mil companheiros argentinos na última ditadura (1976-1983). Temos ainda que falar que a parte civil desse golpe militar hoje está nos governando. O pai do presidente Macri se favoreceu economicamente com a ditadura. Aqui também temos membros de familiares cúmplices da ditadura.”

O deputado Nicolas del Caño, do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS), também pediu a interrupção da sessão. “Nos sentimos ofendidos pela violência contra manifestantes em seu legítimo direito. O que vimos na última quinta-feira foi a militarização, um sítio, que há muito tempo não se via. O Cambiemos quer aprovar essa lei de forma fraudulenta, 140 pessoas vão decidir meter a mão no bolso de 17 milhões de pessoas vulneráveis, 90% da população está contra esta medida. O governo disse na campanha que não promoveria reformas como esta. Por isso, não podemos seguir com essa sessão.”

Confira vídeo sobre a mobilização em Buenos Aires: