No Uruguai

Mujica convoca para evento em Montevidéu pelo ‘combate do futuro’

Capital uruguaia sedia, de hoje até sábado, encontro que integra a Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo. Ex-presidente uruguaio participa

Paulo Pinto/Agência PT
Mujica

Mujica: “Seguimos conscientes dos desafios da América Latina e contra as ameaças à nossa soberania”

São Paulo – A capital uruguaia sedia, de hoje (16) até sábado (18), o Encontro de Montevidéu, como parte da Jornada Continental pela Democracia e contra o Neoliberalismo. Em vídeo divulgado no Facebook, o senador e ex-presidente do Uruguai Pepe Mujica convoca “organizações sociais, correntes sindicais e partidos políticos que lutam pela igualdade e liberdade na América Latina”.

Mujica ressalta que muitas dessas organizações participaram das lutas que derrotaram as pretensões dos Estados Unidos de criar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) em 2005. “Seguimos conscientes dos desafios da América Latina, da necessidade de defesa ante o mundo transnacional e a crescente desigualdade, contra as ameaças à nossa soberania, nosso equilíbrio ecológico, a falta de oportunidades aos jovens”, disse o ex-presidente.

Segundo ele, “a proposta (do evento na capital uruguaia) é fazer um balanço, traçar perspectivas, tentar caminhar para uma realidade melhor do que a atual e fazer o combate do futuro”.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era anunciado como presença “a confirmar” para uma das mesas nesta quinta-feira, mas o Instituto Lula informou que ele não estará no evento. Participam ainda representantes da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) da Venezuela, da instituição argentina Mães da Praça de Maio, e da CUT (com Beatriz Cerqueira, presidenta da central em Minas Gerais), entre outras inúmeras entidades.

Embira ausente, o ex-presidente enviou mensagem na qual saúda “os milhares de líderes e militantes do Uruguai e dos mais diversos países da América Latina que participaram do movimento de afirmação e resistência” durante os governos progressistas na região, entre os quais o dele próprio.

“Os governos progressistas, em sintonia com os movimentos populares, souberam promover grandes transformações econômicas, sociais e culturais em nosso continente, conquistando uma dignidade inédita para nossos povos”, disse. Lula reconheceu não ter feito “tudo o que gostaríamos nem tudo o que era necessário, mas avançamos bastante no desenvolvimento compartilhado e na integração da América Latina”. 

Em 2005, completaram-se 10 anos da luta que derrotou a Alca, ideia com a qual o ex-presidente norte-americano Bill Clinton pretendia abrir as fronteiras dos países do continente aos produtos daquele país. Em 5 de novembro de 2005, multidão de militantes de diferentes países da América do Sul reuniu-se na Cúpula dos Povos em Mar Del Plata, Argentina, em mobilização contra a criação do organismo, o que foi fundamental para sua rejeição.

A atuação do então presidente Lula, à época em seu segundo ano de mandato, contra a Alca, também ajudou a derrotá-la.

Segundo a organização do evento em Montevidéu, sob o slogan “Nenhum passo para trás! Nós, povos, continuamos em luta!”, os movimentos e organizações sociais propõem criar  “um processo de articulação e lutas contra a ofensiva dos setores conservadores e do capital no continente”. 

“Em 2016, mobilizamos ações em dezenas de países que marcaram nossa rearticulação após o Encontro de Havana, onde nos reunimos em novembro de 2015 para comemorar 10 anos da derrota da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). Nesse processo, continuamos a impulsionar nossas resistências e nossas propostas para uma sociedade estruturada sobre os princípios da igualdade, da autodeterminação dos povos”, dizem os organizadores.