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Crise humanitária

Número de refugiados e deslocados sobe para 65,6 milhões e atinge novo recorde

Países em desenvolvimento, como Turquia, Paquistão e Líbano, são os maiores acolhedores de estrangeiros, aponta ONU
por Redação RBA publicado 20/06/2017 14h27
Países em desenvolvimento, como Turquia, Paquistão e Líbano, são os maiores acolhedores de estrangeiros, aponta ONU
Marinha italiana/Massimo Sestini
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Segundo o relatório, crianças representam metade dos refugiados do munto inteiro

São Paulo – O deslocamento forçado de pessoas por causa de guerras, violência e perseguições alcançou, em 2016, um recorde histórico: cerca de 65,6 milhões de deslocados, sendo 22,5 milhões refugiados. Os dados são do relatório "Tendências Globais" divulgado ontem (19) pela Agência da ONU para Refugiados (Acnur)

O estudo aponta para uma ausência de consenso internacional quando se trata de acolhimento e desmitifica a ideia de são os países mais desenvolvidos os que mais prestam assistência aos refugiados. Segundo a Acnur, as nações em desenvolvimento acolhem a maioria 84% dos refugiados e deslocados. Os principais acolhedores são Turquia (2,9 milhões), Paquistão (1,4 milhão), Líbano (1 milhão), Irã (979,4 mil), Uganda (940,8 mil), Etiópia (791,6 mil) e Jordânia (685,2 mil). 

O conflito na Síria, que já dura seis anos, é o motivo para que o país seja o local de origem da maior parte dos refugiados: 5,5 milhões. Entretanto, em 2016, um novo elemento de destaque foi o Sudão do Sul, onde a desastrosa ruptura dos esforços de paz contribuiu para o êxodo de 739,9 mil pessoas entre julho e dezembro do ano passado. No total, já são 1,4 milhão de refugiados originários do país africano.

As crianças representam metade dos refugiados do mundo inteiro. No ano passado, 75 mil solicitações de refúgio foram feitas por crianças que viajavam sozinhas ou separadas de seus pais.

Outro dado que chama a atenção é referente ao deslocamento de pessoas dentro dos próprios países, na qual os cidadãos tentam continuar em seu país de origem, antes de ir para outra nação. Ao final do ano passado, 40,3 milhões se deslocaram internamente, com os maiores fluxos identificados na Síria, no Iraque e na Colômbia.

Cerca de meio milhão de refugiados tiveram a oportunidade de voltar para os seus países e aproximadamente 6,5 milhões de deslocados internos regressaram para as suas regiões de origem. "Muitos deles voltaram em circunstâncias piores do que o ideal e ainda com um futuro incerto", diz o texto publicado pela ONU.

O Acnur também estima que, até o final de 2016, ao menos 10 milhões de pessoas não tinham nacionalidade ou corriam risco de se tornarem apátridas. Hoje (20) é lembrado o Dia Mundial dos Refugiados.