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Tentativa de golpe na Turquia deixou 265 mortos e 2.745 juízes demitidos, diz governo

por Redação RBA publicado 16/07/2016 15h46

Opera Mundi – A tentativa de golpe militar na Turquia, que começou na noite de sexta-feira (15), deixou 265 mortos, afirmou o primeiro-ministro do país, Binali Yildirim. Como consequência das ações – no que é visto como o início de um "expurgo" – o governo afirma ter demitido 2.745 juízes, que acusa de estarem envolvidos na ação que tentou derrubar o presidente Recep Tayyip Erdogan. Além disso, cerca de três mil militares foram presos.

"A situação está sob controle. Não se preocupem pelos comandantes (retidos); estarão em breve em serviço", afirmou o primeiro-ministro. "Os cérebros do golpe foram todos detidos. Estamos buscando outros, estamos detendo. Os promotores começaram com seu trabalho judicial."

"Os membros deste grupo estão agora em mãos da nação turca e vão receber a pena que merecem", acrescentou. Segundo o premiê, os envolvidos na tentativa serão expulsos das Forças Armadas.

Ao retornar a Istambul, no final da noite de sexta (madrugada de sábado na Turquia), Erdogan disse que a insurreição militar é um ato de traição e que os responsáveis "pagarão caro". Segundo ele, que diz continuar no poder apesar da reivindicação dos militares, esta é uma oportunidade para "limpar" as Forças Armadas do país.

Gulen

Yildirim voltou hoje (16) a acusar diretamente o clérigo Fethullah Gulen como responsável pela tentativa de golpe na Turquia. Gulen, líder de um movimento social-religioso chamado Hizmet – que o governo de Erdogan afirma ter montado um "Estado paralelo" no país – vive em um autoexílio nos Estados Unidos e condenou os acontecimentos desta madrugada. O Hizmet foi classificado pelo governo turco, em maio, como uma organização terrorista.

"Qualquer país que proteja Fethullah Gulen será um inimigo da Turquia e será considerado em guerra com a Turquia", afirmou o primeiro-ministro, lembrando que o país é um membro da Otan.

Na sexta, Erdogan havia feito a mesma acusação. De acordo com o presidente, esta tentativa de golpe foi realizada por uma "minoria" dentro das Forças Armadas que não tem capacidade de unir o país e que tem sido orientada por Gülen.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pediu que a Turquia envie evidências de que Gulen esteja envolvido na tentativa de golpe. Kerry, de acordo com a emissora britânica BBC, está em Luxemburgo e afirmou não ter recebido nenhum pedido de extradição vindo do governo turco.

Por meio de comunicado oficial, o Hizmet negou as acusações de Erdogan e rechaçou a tentativa de golpe militar no país. A nota diz que o movimento tem mais de 40 anos de "compromisso com a paz e a democracia". "Condenamos qualquer intervenção militar na política interna da Turquia", diz a nota. "Comentários de círculos pró-Erdogan são altamente irresponsáveis."

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