direitos humanos

Alunos da Califórnia aprenderão sobre história do movimento LGBT nos EUA

Conselho Estadual de Educação aprovou neste mês, por unanimidade, que tema deverá integrar currículo de História e Ciências Sociais de escolas públicas

arquivo/EBC
Ato de Educação Justa

O Ato de Educação Justa determina a inclusão da comunidade LGBT e outras minorias no currículo escolar

Opera Mundi – Estudantes de escolas públicas na Califórnia, nos Estados Unidos, passarão a aprender em sala de aula sobre a história do movimento LGBT norte-americano, tornando o estado pioneiro no país na inclusão do tema nos currículos escolares.

O Conselho Estadual de Educação da Califórnia aprovou no último dia 14, por unanimidade, que o assunto deverá integrar o currículo de História e Ciências Sociais das instituições de ensino. O conteúdo fará parte das grades curriculares de alunos desde o nível básico até o ensino médio.

A inclusão da história do movimento LGBT faz parte de uma reforma no currículo dessas disciplinas, que traz o “estudo do papel das contribuições” de grupos minoritários, incluindo “gays, lésbicas, bissexuais e transgênero norte-americanos”.

Em entrevista à revista norte-americana The Atlantic, Don Romesburg, professor-associado e chefe do Departamento de Mulheres e Estudos de Gênero na Universidade Estadual de Sonoma, disse que era preciso assegurar que a abordagem do assunto não ficasse apenas em “menções simbólicas” no período final de estudo dos alunos.

“Sabíamos que, tanto por uma questão de precisão histórica e para a educação do aluno e do ambiente escolar, era importante que todos os alunos aprendessem sobre a vida e a história de pessoas LGBT no nível básico, fundamental e médio”, disse.

As mudanças atendem à legislação aprovada em 2011, a Fair Education Act (“Ato de Educação Justa”, em tradução livre), que determina a inclusão da comunidade LGBT e de pessoas portadoras de deficiência à lista de minorias sociais cuja contribuição deve estar presente no currículo escolar. Já fazem parte da lista movimentos de mulheres, imigrantes, praticantes de diversas religiões e outros grupos.

A nova legislação, entretanto, não havia sido implementada até o momento devido a tentativas judiciais para derrubá-la e a cortes orçamentários para compra de material didático.

Segundo Romesburg, as referências ao movimento LGBT serão agregadas ao currículo existente. Na segunda série, os estudantes aprenderão sobre a comunidade LGBT como sendo parte da diversidade sexual, enquanto na quarta série haverá menções a figuras históricas do movimento, como Harvey Milk.

No ensino médio, serão abordadas as contribuições do movimento LGBT e, algum tempo depois, a luta pela igualdade de direitos dos LGBT dentro da história norte-americana.

Em entrevista à agência Associated Press, Allyson Chiu, recém-egressa da instituição Cupertino High School, disse que as revisões do currículo deixarão os estudantes mais “confortáveis” em sala de aula.

“Meus colegas e eu podemos resolver equações de segundo grau ou citar elementos da tabela periódica. Eles não podem dizer a você quem foi Harvey Milk ou a importância da Revolta de Stonewall (ocorrida após a prisão e espancamento de várias pessoas no bar de mesmo nome em 1969, em Nova York)”, disse.

A lei, ao ser aprovada, não foi acompanhada de uma orientação explícita para ser seguida pelo Estado ou por educadores, assim como não foram criados materiais didáticos para refletir o novo foco na comunidade LGBT. A expectativa é de que, com a inclusão do tema no currículo, isso seja alterado.

Em comunicado, o grupo Equality California (Igualdade Califórnia), organização de advogados que representa causas da comunidade LGBT, elogiou a iniciativa e afirmou que as novas diretrizes captam “momentos essenciais na luta por igualdade, e a evolução de comunidades e identidades”.

Grupos contrários à lei, por sua vez, argumentam que deveria ficar a critério das famílias decidir de que forma e em que idade a questão da orientação sexual será discutida com seus filhos.

O advogado Matthew McReynolds, do Instituto Justiça Pacífica, uma das organizações que se opunham à legislação, disse à AP que as famílias estão preocupadas com o fato de os currículos diminuírem a ênfase em figuras históricas e eventos importantes para abrir espaço para membros da comunidade LGBT.

Leia também

Últimas notícias