Você está aqui: Página Inicial / Mundo / 2016 / 04 / Bernie Sanders: 'EUA não podem continuar derrubando governos na América Latina'

intervenção

Bernie Sanders: 'EUA não podem continuar derrubando governos na América Latina'

Pré-candidato diz que intervenção dos EUA na região é 'inaceitável' e que, caso seja eleito, fomentará 'relação baseada no respeito mútuo' com países latino-americanos
por Redação publicado 19/04/2016 15h02, última modificação 19/04/2016 15h02
Pré-candidato diz que intervenção dos EUA na região é 'inaceitável' e que, caso seja eleito, fomentará 'relação baseada no respeito mútuo' com países latino-americanos
reprodução/flickr
feelthebernie.jpg

Sanders: 'Futuro de cada país deve ser decidido por seu povo, não pelos Estados Unidos'

Opera Mundi – O pré-candidato do Partido Democrata à presidência dos Estados Unidos Bernie Sanders disse ontem (18) que a política intervencionista de seu país na América Latina deve terminar para iniciar um novo período baseado no "respeito mútuo".

"Os Estados Unidos não podem continuar intervindo na América Latina e derrubando governos ou tentando desestabilizá-los por razões econômicas", acrescentou o pré-candidato em uma conversa com o vocalista do grupo porto-riquenho Calle 13, René Pérez “Residente”, cujo vídeo foi publicado na página de Sanders no Facebook.

"Temos que ser honestos. A história dos Estados Unidos em relação à América Latina foi a de uma nação poderosa, com o exército mais forte do mundo, dizendo: 'Não gostamos deste governo, vamos derrubá-lo'", disse o senador pelo estado de Vermont, acrescentando que "caos" e "massacres" sucederam esses golpes de Estado. "O futuro de cada país deve ser decidido por seu povo, não pelos Estados Unidos", afirmou.

Sanders, que concorre com a ex-secretária de Estado Hillary Clinton pela candidatura democrata à presidência dos EUA, afirmou que se chegar à Casa Branca fomentará "uma nova relação (com a América Latina) baseada no respeito mútuo" e criticou a atual administração do presidente Barack Obama por não ter feito o mesmo.

O vocalista do Calle 13 comentou sobre a relação de Hillary com o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, que é apontado como um dos responsáveis por promover os golpes militares dos anos 1970 no Cone Sul: "Não compreendo como um latino pode apoiar a mesma candidata que apoia Kissinger, que tanto prejuízo causou para a América Latina".

Sanders se mostrou de acordo com o vocalista porto-riquenho ao confirmar que Kissinger “causou prejuízo” à América Latina. O pré-candidato se referiu especificamente ao golpe de Estado contra Salvador Allende no Chile, em 1973. "Não é um segredo que Allende foi derrubado pela CIA e que após isso surgiu um governo neofascista que foi responsável pelo assassinato de milhares de pessoas. Isso é inaceitável", disse Sanders.

O pré-candidato também mencionou sua viagem à Nicarágua durante os anos 1980 para mostrar sua rejeição ao apoio dos Estados Unidos e do presidente Ronald Reagan aos Contras, um grupo armado financiado pelo governo norte-americano para lutar contra a Revolução Sandinista.

Entre outros temas, Sanders se mostrou contrário à vigilância indiscriminada perpetrada pela Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA e por corporações, “que mantêm registros de tudo que fazemos”, afirmou. O pré-candidato também se mostrou favorável a tornar Porto Rico um Estado de pleno direito dos EUA, já que atualmente é um Estado Livre Associado, e de promover um referendo para que seus cidadãos possam decidir sobre o status político da ilha, com a independência entre as opções.

Bernie Sanders e Hillary Clinton se enfrentam hoje (19) nas primárias do Estado de Nova York, nas quais Hillary parte como favorita, segundo a maioria das pesquisas.