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‘Nossa posição editorial e política é inegociável’, responde Telesur a Macri

Argentina será o primeiro país sócio-fundador a deixar a La Nueva Televisión del Sur, que em 2015 completou uma década no ar

Reprodução/Telesur
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Segundo Villegas, os conteúdos da Telesur são definidos por seus trabalhadores e não pelo governo

Opera Mundi – “Nossa posição editorial e política é inegociável. Desta forma, a presidenta da Telesur, Patricia Villegas, comentou, em entrevista à emissora ontem (29), a decisão tomada pelo governo do presidenta argentino, Mauricio Macri, de retirar o canal multi-estatal da grade de programação no país e se desvincular do projeto.  O presidenta venezuelano, Nicolás Maduro, também se manifestou e comparou os fatos com o ocorrido durante a última ditadura argentina (1966-1973).

De acordo com Villegas, o responsável pelos meios de comunicação públicos argentinos, Hernán Lombardi, a questionou, por telefone, sobre a possibilidade de seu país inserir conteúdos na programação da emissora. A resposta foi não. Nem vocês, nem ninguém. Os conteúdos da Telesur são definidos por seus trabalhadores e pelo devir histórico dos acontecimentos, respondeu a jornalista.

Apesar de uma pequena comissão ter se reunido na Argentina com a representante do canal no país, Villegas ressalta que a única comunicação feita diretamente foi a chamada telefônica. Ela demonstrou surpresa pelo fato de o anúncio de retirada do país tenha sido feito em um domingo de páscoa e logo após a visita do presidenta dos EUA, Barack Obama, ao país.

Ela disse esperar que se abra um espaço para a batalha de ideias no país sul-americano e lembrou o fato de que aos povos da região pagaram um preço alto para que a informação fosse considerada um direito e afirmou ainda ser preciso seguir lutando para que a notícia não siga sendo tratada como uma mercadoria.

Lombardi, por sua vez, justificou a decisão de seu governo com o argumento de que “nosso país não tinha nenhuma ingerência nos conteúdos nem em seu gerenciamento. Esta determinação está em linha com o que temos proposto para os meios públicos em termos de pluralismo e austeridade”.

Assista a entrevista:

Nicolás Maduro

Em declarações concedidas à emissora Venezolana de Televisión (VTV), Maduro disse que “os que estão tentando fazer com que a Telesur desapareça são os mesmos que desapareceram com 30 mil jovens na Argentina”, referindo-se à ditadura que deixou milhares de pessoas desaparecidas.

“Não farão com que a Telesur desapareça. Se ela for proibida na Argentina, milhões poderão ver pela internet”, disse Maduro.

Ele ressaltou ainda que “a Telesur seguirá levando a verdade e defendendo a verdadeira liberdade de expressão dos povos, diante da arremetida da direita entusiasmada por seus 15 minutos de fama”.

Multiestatal

A adesão da Argentina à Telesur deu-se a partir de um convênio de cooperação firmado com a Venezuela em janeiro de 2005, entre os governos dos então presidentas argentino, Néstor Kirchner, e venezuelano, Hugo Chávez. Passados os cinco primeiros anos da assinatura do convênio, sua renovação é automática, a menos que uma das partes comunique sua decisão de desligar-se. A desvinculação efetiva ocorre seis meses depois da apresentação de notificação.

A Argentina será o primeiro país sócio-fundador a deixar a La Nueva Televisión del Sur, que em 2015 completou uma década no ar.

A rede, que foi transmitida pela primeira vez em 24 de julho de 2005, tem como acionistas, além da Argentina (com 16% das ações), os Estados de Venezuela, Cuba, Equador, Bolívia, Nicarágua e Uruguai.