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Movimentos fazem manifestações em Paris contra conclusões da COP21

Representantes da sociedade consideram insuficientes medidas para limitar em 2 graus Celsius o aumento de temperatura até o fim do século
por Agência Brasil publicado 12/12/2015 13h59
Representantes da sociedade consideram insuficientes medidas para limitar em 2 graus Celsius o aumento de temperatura até o fim do século
Arnaud Bouissou/ COP21
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François Hollande, o chanceller francês, Laurent Fabius, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon

Paris – Organizações não governamentais (ONG) percorrem hoje (12) as ruas de Paris para mostrar desacordo com as conclusões da conferência do clima, a COP21, em Paris. As ONGs consideram insuficientes as medidas de combate ao aquecimento global.

O acordo universal contra as alterações climáticas que os países deverão aprovar hoje lista várias medidas vinculativas, a longo prazo, para limitar o aumento da temperatura a 2 graus Celsius no fim do século.

No entanto, os países estabelecem em 1,5 grau, em relação aos níveis pré-industriais, o aumento de temperatura que não convém ultrapassar para que os impactos do aquecimento não sejam catastróficos, segundo o texto divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que deverá ser aprovado no plenário da conferência do clima (COP21).

O primeiro protesto ocorreu perto do Arco do Triunfo, onde os manifestantes, a maioria vestida de vermelho, usaram uma faixa gigante com mais de 100 metros e desenharam uma enorme linha vermelha com milhares de tulipas e guarda-chuvas ao longo da Avenida da Grande Armée, entre a Praça Étoile e a Porta Maillot. As informações foram divulgadas pela associação ambientalista portuguesa Quercus, que também participa dos protestos.

A Quercus diz que o objetivo é formar uma corrente humana entre a Torre Eiffel e o monumento Muro da Paz, situado no outro extremo do Campo de Marte, em Paris. A iniciativa Estado de Emergência Climática deve reunir milhares de participantes numa ação “pacífica e determinada”, informa nota divulgada.

O representante da polícia de Paris, Michel Cadot, lembrou que as manifestações estão proibidas pois a cidade está em estado de emergência. Ele reconheceu, no entanto, que três delas seriam toleradas, anunciando o envio de cerca de 2 mil policiais para impedir atos de violência, como os que ocorreram há cerca de duas semanas, por ocasião da abertura da COP21, que termina hoje na capital francesa.

"São os cidadãos que têm de liderar em matéria de alterações climáticas, não podemos confiar nos nossos políticos, porque eles estão falhando há 23 anos", disse o ativista dos Ecologistas em Ação Samuel Martin Sosa, à agência de notícias Efe. Para ele, o acordo de Paris "não estabelece as bases para uma verdadeira transição energética".

Em busca de acordo

Representantes de mais de 190 países estão em Paris desde 30 de novembro para tentar chegar a um acordo sobre a redução de emissões de gases de efeito estufa, de modo a evitar fenômenos extremos como ondas de calor, seca, cheias, ou subida do nível do mar.

O acordo de Paris, que tem 11 páginas e uma "decisão" com mais 20. O documento deverá entrar em vigor em 2020, com as 186 contribuições nacionais contra as mudanças do clima já apresentadas.

Em nível financeiro, o acordo prevê uma verba de US$ 100 bilhões por ano para os países em desenvolvimento, a partir de 2020.

A cada cinco anos, os países devem rever a sua participação por meio de um mecanismo de "reporte e de prestação de contas transparente", com o propósito de ir renovando os compromissos nacionais para conseguir chegar ao objetivo de que a temperatura não aumente mais de 2 graus.

Os países propõem que as emissões atinjam o limite "tão rápido quanto possível", reconhecendo que essa tarefa levará mais tempo para as nações em desenvolvimento. As reduções devem ser rápidas, a partir deste momento, para encontrar "um equilíbrio entre as emissões provocadas pela ação do homem e o que pode ser absorvido pela atmosfera" na segunda metade do século.

O texto também reconhece a importância de financiamento da adaptação, um mecanismo de perdas e danos para as alterações climáticas e a ação climática antes de 2020, com base nas necessidades de cada país.

O presidente francês, François Hollande, pediu aos delegados que participam conferência que adotem o texto do acordo que foi apresentado, o que “será um grande gesto para a humanidade”.

Segundo Hollande o documento é o primeiro acordo universal da história das negociações climáticas. “Estamos num momento decisivo”, afirmou o chefe de Estado francês. François Hollande se dirigiu aos 196 delegados, afirmando que eles têm a “possibilidade de mudar o mundo” caso o documento seja aprovado.

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