Ataques em Paris

Hollande pede para dissociar questão dos refugiados de atos terroristas

Em reunião com ministros, presidente francês também disse que vai pedir aos parlamentares ampliação do estado de emergência por até três meses

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Pedido de Hollande de não relacionar os atentados à crise migratória já havia sido sinalizado por Berlim

O presidente francês, François Hollande, afirmou ontem (15), durante reunião com seus ministros, que é preciso dissociar as discussões europeias sobre a questão dos refugiados dos atos de terrorismo que ocorreram em Paris, reportou Le Monde.

A declaração vem após uma onda de atentados na sexta-feira (13) na capital francesa e que matou ao menos 132 pessoas e deixou outras 352 feridas, segundo o último balanço oficial.

Essas ações, que incluíram tiroteios e homens-bomba, ocorreram em ao menos seis localidades diferentes de Paris – entre elas, o Stade de France e a casa de shows Bataclan – e foi reivindicada pelo Estado Islâmico no sábado (14).

O pedido de Hollande de não relacionar os atentados à crise migratória já havia sido sinalizado ontem por Berlim. Para o ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, trata-se de uma “relação precipitada”.

Na contramão, a líder francesa do partido de ultradireita Frente Nacional, Marine Le Pen, disse nesta tarde que os “terroristas podem ter entrado na Europa entre os refugiados”. Após sair da reunião com Hollande e ministros, exigiu maior controle de fronteiras — medida esta estudada por governos conservadores do leste europeu, como o premiê húngaro, Viktor Orbán.

Ampliação do estado de emergência

Após a reunião no Palácio do Eliseu, o presidente do Senado, Gérard Larcher, anunciou que Hollande pedirá ampliação de estado de emergência por até três meses.

De acordo com o jornal Le Figaro, a mudança legislativa proposta pelo chefe de Estado do PS (Partido Socialista) será debatida no conselho de ministros da próxima quarta-feira. Ele quer ampliar dos atuais 12 dias para três meses o tempo que o presidente pode determinar o estado de emergência sem consultar o parlamento.

O atual texto, em vigor desde 1955, estabelece que o estado de emergência pode ser decretado em todo território ou em parte do país em caso de “perigo iminente” por alterações graves da ordem pública, diante de eventos que, por sua natureza ou gravidade, “possam apresentar um caráter de calamidade”.

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