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Europa

Papa lamenta falta de normas claras de acolhimento e integração de refugiados

Francisco reclamou da "indiferença e o silêncio" dos países; na Alemanha, ministro exigiu que imigrantes respeitem as culturas e leis, depois de tumultos entre grupos de nacionalidades diferentes
por Agência Brasil publicado 01/10/2015 12h40
Francisco reclamou da "indiferença e o silêncio" dos países; na Alemanha, ministro exigiu que imigrantes respeitem as culturas e leis, depois de tumultos entre grupos de nacionalidades diferentes
Divulgação/News.va
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Francisco lembrou do número de pessoas que deixam os seus países por serem "vítimas da violência e da pobreza"

São Paulo – O papa lamentou hoje (1º) que os migrantes e refugiados não encontrem normas claras de acolhimento e integração nos países de chegada, que permitam respeitar os direitos e deveres de todos. Em mensagem, o papa disse que essas pessoas se deparam com "falta de normas claras, de aplicação prática, que regulem o acolhimento e prevejam modos de integração a curto e longo prazo, com atenção aos direitos e deveres de todos".

Francisco lembrou o aumento, em todas as áreas do planeta, do número de pessoas que deixam os seus países por serem "vítimas da violência e da pobreza e que sofrem o ultraje dos traficantes de seres humanos na viagem pelo sonho de um futuro melhor", disse ele.

"Se sobrevivem aos abusos e adversidades, encaram depois realidades de suspeitas e receios", acrescentou a mensagem, publicada pelo Vaticano.

Nesta análise sobre o atual momento do drama migratório, o papa indicou que a principal questão a responder, depois de "superada a fase da emergência", é a do espaço necessário para "programas que considerem as causas das migrações".

"As histórias dramáticas de milhões de homens e mulheres interpelam a comunidade internacional, perante o surgimento de inaceitáveis crises humanas em muitas regiões do mundo", sublinhou.

Na mensagem, o papa apelou para a necessidade de "atuar em profundidade e de maneira incisiva" nos países de origem de migrantes e refugiados. "É necessário evitar, possivelmente já na origem, a fuga dos refugiados e os êxodos provocados pela pobreza, violência e perseguição", disse.

A mensagem de Francisco denunciou "a indiferença e o silêncio" que "abrem caminho à cumplicidade quando se assiste à morte por asfixia, penúria, violência e naufrágio", mas é também uma chamada de atenção às consciências dos habitantes dos países de chegada dos refugiados.

O papa convidou a uma reflexão quando pergunta: "Não desejará talvez, cada um deles, melhorar as próprias condições de vida e obter um honesto e legítimo bem-estar para partilhar com as pessoas que amam?"

Ele considerou ainda "importante e indispensável" que a opinião pública seja informada de forma correta, até para prevenir medos injustificados e especulações à custa dos migrantes.

Outro aspeto destacado por Francisco é o de como preparar as mudanças que estes fluxos migratórios vão inevitavelmente provocar e sobretudo como defender "a identidade" de todos. "Como fazer para que a integração seja uma experiência enriquecedora para todos, que abra caminhos positivos às comunidades e previna o risco da discriminação, do racismo, do nacionalismo extremo ou da xenofobia?"

Alemanha

Também hoje, o ministro do Interior alemão, Thomas de Maiziere, exigiu dos refugiados que respeitem a cultura e as leis do país que os recebe, depois dos primeiros tumultos em centros de acolhimento.

Aceitar as leis e os valores alemães significa "que digam o verdadeiro nome e país de origem aos funcionários, não brigar, ter paciência e respeitar os outros, independentemente da religião ou sexo", destacou o ministro numa intervenção no Parlamento (Bundestag), em Berlim.

De Maiziere ressaltou também o direito de todos os requerentes de asilo de serem tratados "em paz, com respeito e dignidade". O ministro garantiu que vai atuar "com toda a força do Estado de Direito" contra "os disparates ultradireitistas" e perante o forte aumento dos delitos contra estrangeiros, que já chegaram - disse - a tentativas de homicídio.

O ministro do governo de Angela Merkel apresentava no Bundestag as reformas legais para acelerar os processos, facilitar a integração dos refugiados, acelerar a deportação de quem não for aceito e aumentar o financiamento dos estados federados e dos municípios.

De acordo com as previsões para este ano, o número total deverá ficar entre os 800 mil e 1 milhão de refugiados. "Muitos vão ficar" e "não devem ser apenas tolerados, mas totalmente aceitos" porque vão ser cidadãos, afirmou o ministro.

De Maiziere defendeu uma integração "em duas direções" e a importância de abrir rapidamente as portas do mercado de trabalho a quem tiver possibilidades reais de conseguir ficar na Alemanha e fomentar a aprendizagem da língua.

O ministro advertiu aos requerentes de asilo que respeitem as decisões das autoridades: "o asilo na Alemanha não significa a escolha livre do domicílio".

Thomas de Maiziere reconheceu que alguns dos centros provisórios de acolhimento não são adequados e estão superlotados, mas pediu que não fossem feitas "exigências demasiadamente elevadas".

"Todos fazem um esforço enorme e de momento é tudo o que se pode fazer", declarou.

O ministro fazia alusão aos problemas registrados na quarta-feira (30), em Hamburgo, para onde 500 agentes da polícia foram chamados para intervir num centro de acolhimento, depois de tumultos entre dois grupos de sírios e afegãos, num total de cerca de 200 pessoas.

Várias pessoas ficaram feridas, mas até o momento desconhece-se um número exato.

Aparentemente os incidentes foram causados por divergências sobre a utilização dos chuveiros e, de acordo com o diário Hamburguer Morgenpost, os dois grupos agrediram-se com barras de ferro e pedras.

Na terça-feira (29), uma rixa entre sírios e paquistaneses deixou dois feridos em Dresden (Leste). No domingo, 14 pessoas, incluindo três policiais, ficaram feridas num centro perto de Cassel, depois de confrontos entre 70 paquistaneses e 300 albaneses.

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