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bombardeio americano

Médicos sem Fronteiras pedem inquérito internacional sobre ataque no Afeganistão

Presidenta do MSF, Joanne Liu, afirmou que não confia em um "inquérito militar interno”
por Agência Brasil publicado 07/10/2015 11h44, última modificação 07/10/2015 13h33
Presidenta do MSF, Joanne Liu, afirmou que não confia em um "inquérito militar interno”
Divulgação/MSF
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Ao menos 37 pessoas foram gravemente feridas durante o bombardeio; dessas, 19 são profissionais de MSF

Genebra – A presidenta da organização Médicos sem Fronteiras (MSF), Joanne Liu, exigiu hoje (7) a criação de uma comissão de inquérito internacional para investigar o bombardeio norte-americano ao hospital de Kunduz, no Norte do Afeganistão, afirmando que o ataque foi contra a Convenção de Genebra.

“Esse não foi somente um ataque ao nosso hospital, foi um ataque à Convenção de Genebra. Isso não pode ser tolerado”, disse Joanne Liu em entrevista.

Ela afirmou que não confia em um "inquérito militar interno” e exigiu a criação de uma comissão internacional humanitária para investigar o caso, um dispositivo previsto pela Convenção de Genebra que estabelece as regras do direito humanitário nas guerras.

O bombardeio do hospital de Kunduz, administrado pelos Médicos sem Fronteiras, na madrugada de sábado (3), deixou 22 mortos, incluindo três crianças.

Nessa terça-feira (6), o general John Campbell, chefe da missão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, afirmou que o hospital foi bombardeado “por erro”, em um ataque decidido pelo comando norte-americano. Ele falou na Comissão das Forças Armadas do Senado dos Estados Unidos. "Nunca atingiríamos deliberadamente instalações médicas”, acrescentou.

Na segunda-feira (4), em entrevista em Washington, John Campbell informou que o bombardeio foi pedido pelas autoridades afegãs, o que foi criticado pela organização médica, que acusou os Estados Unidos “de tentar passar a responsabilidade para o governo afegão”. O general explicou que as forças norte-americanas apoiavam as tropas afegãs envolvidas em confrontos com os talibãs em Kunduz.

O incidente com o hospital de Kunduz ocorreu dias depois de a cidade ter sido tomada pelos talibãs, considerada a mais importante vitória dos insurgentes desde que foram afastados do poder em 2001.

O Exército afegão recuperou a cidade dias mais tarde, mas os confrontos prosseguiram entre as duas partes, que controlam diferentes bairros.

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