crise migratória

Para Alemanha, fracasso em reunião sobre cota de refugiados cobre UE de vergonha

Para vice-chanceler alemão, rejeitar a repartição de refugiados 'ameaça a Europa ainda mais do que a crise grega'; segundo agência controle de fronteiras, 500 mil entraram no continente só este ano

Winkler/ Bundeswehr
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Mais de meio milhão de migrantes cruzaram as fronteiras da União Europeia (UE) desde o início do ano

São Paulo – O vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel, disse hoje (15) que a Europa está “coberta de vergonha” depois do fracasso, na véspera, de uma reunião ministerial, em Bruxelas, sobre a repartição dos refugiados entre os países da União Europeia (UE).

Na segunda-feira (14) à noite, a Europa “cobriu-se novamente de vergonha”, declarou Gabriel, que é também ministro da Economia da chanceler Angela Merkel. “O que vivemos [na segunda-feira] ameaça a Europa ainda mais do que a crise grega”, disse. “E se não chegarmos a um acordo, então as previsões orçamentárias europeias serão, a médio prazo, reduzidas”.

“A Alemanha não está pronta para ser na Europa, de certa forma, o pagador (…) Todos participam quando recebem dinheiro, mas ninguém aparece quando é para assumir responsabilidades. Se isto continuar assim, é o fim das atuais condições de financiamento”, lamentou o político.

O ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, já tinha sugerido reduzir os fundos estruturais da União Europeia aos países que rejeitem as cotas de repartição de refugiados.

“Devemos falar de meios de pressão”, disse à televisão pública alemã ZDF. Os países que se recusam a rapartir cotas “são muitas vezes os países que recebem muitos fundos estruturais” europeus, acrescentou.

Na segunda-feira, o vice-chanceler afirmou que a Alemanha, que reintroduziu no domingo os controlos em suas fronteiras, esperava receber um milhão de migrantes e refugiados este ano, quando as previsões oficiais apontavam para 800 mil.

Os 28 estados-membros do bloco europeu, em reunião de emergência na segunda-feira à noite, em Bruxelas, não chegaram a um acordo sobre a repartição obrigatória de 120 mil refugiados.

A Hungria, Polônia, República Tcheca e Eslováquia, nomeadamente, recusaram a repartição através de cotas.

500 mil

Mais de meio milhão de migrantes cruzaram as fronteiras da União Europeia (UE) desde o início do ano, quase o dobro dos 280 mil contabilizados ao longo de 2014, informou hoje a agência europeia de controle de fronteiras (Frontex).

“Mais de 500 mil migrantes foram detectados em fronteiras europeias nos primeiros oito meses deste ano, depois de em agosto ter sido regisrtado o quinto recorde consecutivo, de 156 mil pessoas atravessando fronteiras europeias”, lê-se num comunicado da Frontex.

A agência pondera que alguns dos migrantes podem ter sido contados duas vezes, pois “um grande número de pessoas vistas na fronteira entre a Sérvia e a Hungria já tinham sido recenseadas na chegada à Grécia, provenientes da Turquia, algumas semanas antes”.

As ilhas gregas também registraram em agosto um recorde de chegadas, com 88 mil pessoas, 11 vezes mais que no mesmo mês de 2014. Cerca de três quartos dessas pessoas eram sírios.

Devido à “intensa pressão migratória”, o diretor da Frontex, Fabrice Leggeri, afirma no comunicado ter proposto às autoridades gregas pessoal suplementar para ajudar no registro dos migrantes nas ilhas de Lesbos e Kos, “particularmente atingidas”.

“Os migrantes que chegam à Turquia falam de traficantes cada vez mais agressivos e cruéis, que ignoram o agravamento das condições meteorológicas e forçam os migrantes a subir a bordo de botes superlotadas para retirarem o maior lucro de cada viagem”, afirma a agência.

“Um grande número de migrantes que chega à Grécia segue para a Hungria, onde o número [de migrantes] registado na fronteira com a Sérvia se multiplicou por 20, atingindo os 52 mil em agosto e perfazendo um total de mais de 155 mil desde o início do ano”, informa o documento.

A Itália, em contrapartida, recebeu 13 mil migrantes em agosto, cerca de metade do número registrado em agosto de 2014. A maioria desses migrantes é oriunda da Eritreia e de vários países subsaarianos e parte para a Europa da Líbia, mas há um número crescente de migrantes provenientes da Turquia.

Desde o início do ano, 106 mil migrantes foram socorridos no Mediterrâneo central, menos 6% que no mesmo período do ano passado. A maioria dos salvamentos ocorreu mais perto da costa da Líbia do que das fronteiras europeias.