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Sufrágio Universal

Mulheres vão participar de eleições na Arábia Saudita pela primeira vez

Direito ao sufrágio ainda é visto por conservadores como uma "intrusão ocidental"
por Opera Mundi publicado 19/08/2015 18h47
Direito ao sufrágio ainda é visto por conservadores como uma "intrusão ocidental"
YT / Reprodução
Afnan Linjawi

Afnan Linjawi , escritora saudita: “Eu não esperava que isso fosse acontecer tão cedo”

São Paulo – As mulheres na Arábia Saudita começaram a se registrar para poder votar e também se candidatar nas eleições municipais que ocorrerão em dezembro, reportou a Al Jazeera hoje (19). Esta é a primeira vez que elas participam do processo eleitoral no reinado.

“Eu não esperava que isso fosse acontecer tão cedo”, afirmou a escritora saudita Afnan Linjawi à agência árabe. Na segunda-feira (17), duas mulheres – uma da cidade de Meca e outra de Medina – se tornaram as primeiras mulheres registradas a votar.

Segundo a autora, que comemora a possibilidade de votar pela primeira vez, o clima é “excitação”. Para Linjawi, trata-se de uma vitória de líderes feministas locais, que pressionaram pela iniciativa há anos.

Embora a medida tenha sido aprovada pelo rei Salman bin Abdelaziz al-Saud, o seu antecessor, Abdullah bin Abdul Aziz, morto em janeiro de 2015, já havia indicado em 2011 a possibilidade de mulheres votarem nas próximas municipais.

A possibilidade de votação ainda é vista por muitos setores conservadores da sociedade saudita como uma “intrusão ocidental”.  “Acredito que qualquer tentativa de mudanças é aplicada, você irá enfrentar oposição”, comenta Afnan Linjawi.

A Arábia Saudita é um dos países com maior desigualdade de gênero. Além da proibição de sufrágio, as mulheres são proibidas de dirigir e até de viajar sozinhas, tendo suas escolhas restritas pela decisão de homens, sejam pais, irmãos ou maridos.

Em dezembro, a nação será palco da terceira eleição municipal desde 2005. Ao menos um terço dos 1.263 centros de votação estão sendo reservados para mulheres no país.


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