FMI

Relatório secreto: Grécia precisa de alívio de dívida maior do que oferta do Eurogrupo

Segundo documento, acordo bilionário proposto por sócios europeus em troca de austeridade vai aumentar dívida pública grega em pelo menos 15% em dois anos

Marcello Casal Jr./ABr
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Christine Lagarde recomenda que proporcionem a Atenas um período de carência de 30 anos para a sua dívida

São Paulo – Horas após o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, assinar umacordo de austeridade com ministros da zona do euro, o Fundo Monetário Internacional (FMI) enviou aos líderes europeus um relatório em que argumenta que Atenas precisará de um alívio de dívida muito maior do que o resgate de até 86 bilhões de euros que os sócios estão dispostos a transferir, revelou documento divulgado pela Reuters hoje (14).

“A deterioração dramática da sustentabilidade da dívida indica a necessidade de alívio de dívida em uma escala que precisaria ir muito além do que tem estado sob consideração até agora – e o que foi proposto pelo Mecanismo Europeu de Estabilização Financeira (ESM)”, aponta o FMI.

Segundo o órgão financeiro, a crise de liquidez e a restrição de bancos imposta pelo governo grego geraram uma devastação da economia local nas últimas duas semanas, que deve ser levada em conta e atualizada na análise da sustentabilidade da dívida do país feita pelo Eurogrupo.

De acordo com o relatório, a dívida pública da Grécia – que atualmente é em torno de 175% do seu PIB – poderá ultrapassar 200% de sua renda nacional nos próximos dois anos.

No documento, a entidade liderada pela francesa Christine Lagarde recomenda que os parceiros europeus proporcionem a Atenas um período de carência de 30 anos para a sua dívida e também analisem a possibilidade de novos empréstimos.

O vazamento do documento vem em meio à tentativa de Tsipras de conseguir respaldo do Parlamento e da ala de extrema-esquerda de seu partido, o Syriza, para aprovar o acordo de austeridade assinado ontem. Em troca de um resgate de até 86 bilhões de euros durante três anos, Atenas deverá adotar medidas como corte de gastos sociais e privatizações.

O chefe de governo grego insiste aos sócios e europeus que um alívio da dívida é fundamental nas negociações, mas o Eurogrupo já deixou claro que esse passo só será tomado se Atenas aderir completamente ao pacote de reformas austeras. No relatório, o FMI deixa claro que as dívidas gregas ameaçam ser insustentáveis por décadas.