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Dilma nos EUA: principais jornais norte-americanos têm abordagens opostas

Enquanto 'The Washington Post' destaca avaliação da presidenta brasileira e de Barack Obama de que países superaram problemas após escândalo de espionagem, 'NYT' ressalta crise brasileira
por Eduardo Maretti, da RBA publicado 01/07/2015 15h18, última modificação 01/07/2015 16h36
Enquanto 'The Washington Post' destaca avaliação da presidenta brasileira e de Barack Obama de que países superaram problemas após escândalo de espionagem, 'NYT' ressalta crise brasileira
Roberto Stuckert Filho/PR
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Presidenta Dilma durante encerramento da Cúpula Empresarial Brasil-Estados Unidos nesta quarta (1º)

São Paulo – Os dois principais jornais dos Estados Unidos, The New York Times e The Washington Post, trataram da visita oficial da presidenta Dilma Rousseff com destaque para a superação do clima pesado instaurado após o vazamento das informações de espionagem pelo agente da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden.

O jornal da capital dos Estados Unidos destacou principalmente que, dois anos depois das revelações de Snowden, que “desgastaram os laços entre os dois países, o presidente Obama e a visitante brasileira Dilma Rousseff encerraram publicamente este capítulo nesta terça-feira (30), declarando que as relações entre Estados Unidos e Brasil têm um balanço positivo”.

A reportagem – intitulada “Dois anos após episódio de espionagem, EUA e Brasil buscam virar a página” – lembrou que Dilma cancelou visita a Washington após o vazamento e diz que "os dois líderes eram só sorrisos na Casa Branca, fazendo apostas sobre os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro".

O Post ressaltou que a visita foi adiada “indefinidamente”, depois do escândalo de espionagem, e que “Rousseff descobriu que a NSA tinha lido não só seus e-mails, mas também mapeou seus assessores mais próximos e monitorou padrões de como esses assessores se comunicavam entre si e com terceiros”. Chamou atenção para a avaliação do presidente norte-americano de que "sempre haverá alguns atritos", e para sua afirmação de que o Brasil é “uma potência global” e um "parceiro indispensável nos esforços dos EUA para promover os seus interesses e segurança em todo o mundo”.

Na coletiva conjunta de Obama e Dilma na Casa Branca, a repórter Sandra Coutinho, da GloboNews, foi corrigida pelo presidente. Dirigindo-se a Dilma, a jornalista perguntou como a líder brasileira encara o fato de o Brasil se ver “como um ator global e liderança no cenário mundial”, enquanto é visto pelos EUA “como uma potência regional”.  Antes que Dilma falasse, Obama se antecipou. “Responderei em parte a pergunta que você acabou de fazer à presidenta. Não enxergamos o Brasil como uma potência regional, mas como uma potência global.” A gafe da repórter do sistema Globo e a resposta de Obama repercutiram nas redes sociais no Brasil.

O The Washington Post destacou ainda declaração da brasileira sobre o compromisso de Obama de não mais se envolver em espionagem em nações aliadas. "Eu acredito, presidente Obama". "Eu confio nela completamente", respondeu o americano. Superadas as dificuldades do passado, "Obama e Rousseff colocaram os holofotes nas áreas de cooperação entre os dois países", como o acordo pelo qual os Estados Unidos decidiram liberar a compra de carne de 14 estados brasileiros, "uma antiga reivindicação brasileira".

"No entanto – segue o jornal – a pedra angular da tentativa de mostrar interesses comuns era o anúncio conjunto sobre as alterações climáticas, que Rousseff considera 'um dos desafios centrais do século 21'.”

Depois de reunião no Salão Oval e coletiva de imprensa conjunta com Obama, Dilma foi ao Departamento de Estado para almoço e encontro com o vice-presidente Joe Biden. Segundo o Post, Biden é "a pessoa principal na ofensiva da Casa Branca para recuperar a confiança de Dilma" nos últimos anos. O vice-presidente esteve na posse da mandatária brasileira em janeiro.

Já o New York Times, na reportagem "Visita de Dilma aos EUA ocorre em meio a turbulências em casa", tratou da visita de maneira menos sóbria, mais irônica e destacou a crise brasileira. Segundo o NYT, a visita de Dilma mostrou uma “mudança no coração” da presidenta, o que poderia ser resultado “da série de crises que envolveu a administração desde o momento em que ela ganhou o segundo mandato no ano passado”.

O jornal de Nova York cita as baixas taxas de aprovação do governo brasileiro e destaca a recessão vivida pelo país, o aumento da inflação, a queda no consumo e diz que, apesar de tudo isso, "o banco central continua a elevar as taxas de juros, prejudicando o crescimento ainda mais". "Então, o objetivo da relação de Dilma com os Estados Unidos e o cortejo a investidores americanos são amplamente vistos como vital para a recuperação do Brasil", diz o NYT.

O diário citou a Operação Lava Jato e informou que, ao lado de Obama, Dilma declarou que o Brasil, como os Estados Unidos após a recessão de 2008, vai sair de seus problemas atuais.

Agenda

A agenda de Dilma Rousseff previa para hoje, seu último dia nos Estados Unidos, várias atividades em San Francisco, na Califórnia, durante encerramento da Cúpula Empresarial Brasil-Estados Unidos. Dilma tem encontro com a ex-secretária de Estado Condoleezza Rice. Considerada influente, Rice é sócia da Rice Hardley Gates, consultoria que orienta grandes empresas para atuação em mercados emergentes.

A líder brasileira tem reunião com o presidente executivo do Google, Erick Schmidt , encontro com a presidenta da Universidade da Califórnia, Janet Napolitano, e visita ao Centro de Pesquisas da Nasa, entre outras atividades.

Dilma parte de São Francisco para Brasília hoje, às 22h (horário de Brasília).

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