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Ministro das finanças diz que Europa faz ‘terrorismo’, mas crê em acordo após referendo

'Se a Grécia falir, um trilhão de euros será perdido. Isso é muito dinheiro e não acredito que a Europa vai permitir isso', diz Yanis Varoufakis

Steven E.Purcell/Brookings Institution 16/4/15/fotos públicas
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Varoufakis é conhecido pelas suas inimizades com líderes financeiros europeus

São Paulo – “O que estão fazendo com a Grécia tem um nome: terrorismo”, afirmou o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, em entrevista hoje (4) ao jornal espanhol El Mundo. “Por que eles (credores europeus) nos forçaram a fechar os bancos? Para assustar as pessoas. E quando se fala de espalhar o terror, isso é conhecido como terrorismo”, argumentou Varoufakis.

As declarações acontecem um dia antes do referendoconvocado pelo governo grego, em que a população deverá escolher entre o “sim” ou o “não” ao acordo estipulado pelos líderes da troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e Fundo Monetário Internacional).

Para o responsável da pasta das Finanças – que luta com seu partido, o Syriza, pelo “não” – seja qual for o resultado da consulta popular de amanhã, deverá haver uma negociação entre Atenas e os credores na segunda-feira (6).

“Porque tem muita coisa em jogo, tanto para a Grécia como para a Europa, eu tenho certeza. Se a Grécia falir, um trilhão de euros (o equivalente ao PIB da Espanha) será perdido. Isso é muito dinheiro e não acredito que a Europa vá permitir isso”, disse.

Neste sábado, o ministro das Finanças grego também deu declarações semelhantes ao jornal Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung. “Espero que a gente tenha um acordo na segunda-feira. E isso independentemente de a maioria votar ‘sim’ ou ‘não’ no referendo”, reiterou ao veículo.

À edição de fim de semana do periódico alemão, Varoufakis ainda criticou o ministro de Finanças alemão, Wolfgang Schäuble. “Já em 2012, o senhor  Schäuble deu a entender claramente que preferiria um ‘grexit’ (saída da Grécia da zona do euro)”, afirmou. “Sei que o governo alemão desejaria outra coisa, mas os gregos provavelmente não. Confiem em nós”, acrescentou.

Reabertura de bancos

Varoufakis ainda garantiu que na terça-feia (7) os bancos vão abrir em seu país, após o fechamento ao qual se viram obrigados depois que a Europa se recusou a fazer uma o que chamou de uma “pequena extensão do resgate”.

Mais cedo, a presidente da União Grega de Bancos, Luka Katseli, afirmou nesta manhã que há uma “alta probabilidade” de os bancos poderem abrir na terça ou no máximo quarta, embora preveja que continuará a haver controle de capitais.

Em entrevista à televisão grega Mega, Katseli explicou que o nível de restrições para os saques dependerá da liquidez de terça-feira, e esta por sua vez poderá ser determinada assim que souberem quais serão as decisões do Banco Central Europeu após o referendo.

Entenda o caso

Pelo menos 40 mil gregos foram à ruas ontem, em Atenas, em manifestações que defenderam tanto o voto “não” quanto o “sim”. Na praça Syntagma, no centro da capital, cerca de 25 mil se reuniram pelo não; já do lado de fora do antigo estádio olímpico da cidade, 20 mil se concentraram para pedir o voto no “sim”.

Horas após dar calote no FMI, a Grécia pediu na quarta-feira (1º) “mudanças graduais” às condições impostas pelo Eurogrupo. Negociado há meses, esse acordo busca um consenso pela prorrogação do resgate financeiro por parte das instituições financeiras europeias, em troca da aceitação do governo grego por reformas estruturais e corte orçamentário.

No último fim de semana, o governo anunciou a restrição de capitais, limitando a retirada de dinheiro a € 60, bem como ordenando o fechamento de bancos e dos mercados até terça-feira. A decisão gerou uma corrida a caixas eletrônicos, além de manifestações pró e contra o governo em Atenas.

Nos últimos meses, o governo grego tentou negociar com os credores a possibilidade de um novo empréstimo no valor de € 7,2 bilhões, em troca de reformas orçamentárias. Uma das principais exigências do Eurogrupo é o corte no setor previdenciário, algo a que os ministros do Syriza radicalmente se opõem.